Posts recentes...clique...navegue...explore!

27.6.18

Ar fresco




Um sorriso manso
Um olhar ameno
Vem  chegando
Vem  devagar
Sem pressão
Sem pressa
Pra quê?
Se for
Será
É...






2018


26.6.18

Let it be...



Se guarde para obras inteiras
Não se gaste por episódios

Deixe ir
Deixe ser
Deixe estar

O que é, simplesmente, é

Acontece
Continua
Arraiga

Se você tem que fazer força

Para seguir
Para efetivar
Para entender

É porque não está

Sucedendo
Somando
Fluindo

É porque não está livre

Deixe ir
Deixe ser
Deixe estar

Fique solto, voe sozinho

Não perca tempo
Desemaranhando nós
Que nunca foram laços



2018

25.6.18

Guimarães Rosa



O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.

        (Grande Sertão: Veredas, Guimarães Rosa.)




23.6.18

Destino




E no final
O resultado
Foi desacontecer
O que nunca aconteceu
O que nunca aconteceria
O que nunca teve
Um  começo
Só um fim







2018

22.6.18

Dead looping


E você acredita Investe Estranha Desconfia Ignora Cede Volta Tenta Confia Desconhece Duvida Recua Retoma Prossegue Sente Gosta Solta Valoriza Permite Questiona Cai Reage Briga Agride Corta Cala Lembra Pondera Considera Perdoa Recai Insiste Espera Desiste Expressa Desapega Reflete  Até que chega não a uma resposta A uma solução A uma conclusão  Mas a uma pergunta

Era pra tanto?




2018

21.6.18

Poupe-se



(...)

Algumas vezes você tem que dar apenas o que o dia está pedindo...sem o menor esforço extra.

Respeitar a nossa dinâmica orgânica é essencial para preservarmos forças para momentos mais importantes, onde muitas vezes temos que colocar no jogo até o que (aparentemente) não temos...

Podemos (quase) tudo, mas a sabedoria de puxar o necessário das nossas prateleiras no momento exato é que faz a diferença.




2018

20.6.18

Estação



Ela mantém um olhar fixo, debruçada na sacada, tomando um café que nunca termina ou esfria...

Está paralisada olhando do alto aquele trem passando...um trem longo, com inúmeros vagões transparentes, de onde é possível ver jóias, tapeçarias luxuosas, porcelanas delicadas, cristais brilhantes e muitas, muitas caixas que nunca foram abertas...

Tudo parece intacto, indiferente ao movimento daquele trem veloz; às vezes lento, outras vezes quase parando, cedendo a um hesitante freio...

Aquele conteúdo de reis parece de verdade, mas nada pode ser tocado e ela não consegue exercitar uma ideia de para onde ou para quem tudo aquilo está destinado. Quem sabe ela tenha interceptado, sem querer, uma viagem seleta, discreta, secreta...

Ou talvez aquele trem não esteja indo para lugar algum, esteja apenas viajando, suspenso, fora de alcance; talvez pertença a alguém que não deseja instalar-se, que deseja apenas reter tudo, trancado a oito chaves, seguro das intempéries do lado de fora, da vida...

Ela percebe, intrigada, que alguns vagões estão vazios, com salas arrumadas e decoradas como se esperassem ocupantes. Mas, não há como entrar nelas. É um convite e, ao mesmo tempo, uma impossibilidade...

Ela continua observando atenta. Está fascinada. Ela quer entrar, explorar, conhecer, mas aquele imenso baú em movimento não tem fendas, não tem janelas abertas e nem portas destrancadas...É um trem blindado. 

Ele apenas passa, deixando um rastro indelével de quereres e frustrações, fazendo quem entrou em contato com ele lembrar que o mundo era melhor quando ele ainda não havia cortado a paisagem vigente...

Após alguns meses, ela leva a xícara até a boca em mais um gole, mas se dá conta de que o café acabou. Ela entra para buscar um pouco mais. Quando volta, ao chegar ao arco da porta que dá para a sacada, avista os trilhos vazios...

Ela respira fundo, olha  para o céu em um movimento amplo com todo o corpo, e retorna finalmente ao seu próprio caminho...




2018

18.6.18

Restart!


(...)

E cada vez que meu corpo encosta no chão
Com um tombo
Eu levanto e começo a subir, flutuando, mais leve
Mas não mais fraca
Nem tenho mais medo de cair ou de me ferir no caminho
Faz parte da minha dinâmica
Quando você entende e aceita a sua jornada, aprende com ela
E não se encolhe ou quebra, amplia...



Photo: John Lund (sepia blog version)



2018

16.6.18

Borbotões



(...)

Não, não me peça para economizar o que tenho de sobra
Eu sei que Cazuza poderia entender isso muito bem
E espero que isso não seja restrito a poetas

Ou a loucos...



2018

15.6.18

Escambo...




Sim, eu confesso que trocaria

Impossibilidades por ações
Diferenças por afinidades
Mentiras por honestidade
Distância por encontros
Silêncio por palavras
Nunca  por um talvez
Saudade por coragem
Acabou  por um vem

Ao invés de  negar
Ao invés de  sonhar
Ao invés de  superar
Ao invés de  desejar
Ao invés de  inventar
Ao invés de  esquecer
Ao invés de  fantasiar

Sim, eu de fato trocaria
Esse texto por uns beijos

Arriscar é sempre muito melhor
Do que todos os verbos do planeta
Que, no final das contas, significam 

Não ter, não tocar, não sentir, não viver



2018

12.6.18

Sobre mares e amar...



Felizes daqueles

Que nadam despreocupados
Que curtem deslizar nas ondas
Ou o impacto de ir ao encontro delas

Felizes daqueles

Que sentem o sol arder na pele
Que não temem o contato com as águas
Algumas vezes quente, outras muito gelada

Felizes daqueles

Que mergulham de cabeça
Que abrem os olhos sem medo do sal
E vão ao fundo até tocá-lo e tornar-se parte

Felizes daqueles que amam
E sabem amarear...


Photography by Mark Pace (sepia blog version)

2018

10.6.18

Aviso aos navegantes


Que seja violento Visceral Destravado Imodesto Abusado Empreendedor Destemido Farto Que seja sem fronteira Sem outrora Sem embora Que chegue chegando Sem hora Agora Que fale pouco Fale sério Fale com silêncios Que não seja aleatório Que venha para surpreender Impactar Quebrar estatísticas Que me pegue com a mão cheia Que me pegue forte Me pegue firme Me atenha Que tenha cumplicidade Conexão Sentimento Ou não venha pra dentro Passe ao largo Passe batido Segue rumo E me deixe a sós com o meu oceano.

2018

9.6.18

Permita-me


Permita-me

Ignorar  pessoas rasas
Ignorar  palavras rasas
Ignorar  intenções rasas

Recusar  seduções voláteis
Recusar  beijos descartáveis
Recusar  sexos irresponsáveis

Rejeitar  estupidez existencial
Rejeitar  vaciladas sintomáticas
Rejeitar  negligencias emocionais

Rechaçar  quem não percebe o outro
Rechaçar  quem não quer se conhecer
Rechaçar  quem não assume o que quer

Não ver  intenções em inconsistências
Não ver  sentido em atitudes desconexas
Não ver  verdades em mentiras deslavadas

Permita-me dar atenção apenas para mim mesma
Permita-me seguir apenas a minha própria rota
Permita-me ficar com a minha própria companhia

Permita-me crescer, ampliar, evoluir, transmutar

Permita-me descansar e existir sozinha...(por hora)

1.6.18

Passos 1



(...)

E então ela pensou:

Vou morrer de saudade

Mas...

Como saudade não mata
Vou  me despir dela
E seguir com a vida

Nua.







2018