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26.4.18

Cajá!


Gente, carros, tráfego, sinal, barulho, hora, pressa, calor

De repente, no meio de tudo, vi uma inusitada barraca de cajá
Meu corpo embalado, continuou, nem hesitou, seguiu direto, reto
Mas...era cajá  da minha infância, de pegar no pé e comer fresco

Pisei com minhas lembranças no freio, parei, voltei, voltei pro cajá
Parei na barraca e sorri só de reconhecer aquela frutinha tão familiar
Minha vida se encheu de sol, de amigos, de inocência, de risos, de cajá

Segui o dia com a bolsa cheia de cajás; peguei metrô, andei, resolvi coisas
Só no dia seguinte, depois de um monte de compromissos, é que lembrei do cajá
Peguei um, devorei com boca de criança, e percebi que ela estava ali escondidinha

No meio de um monte de gente, do trânsito, da pressa, das horas, das missões, de mim


2018


23.4.18

Minha Crônica 1



Nadei nua em praias desertas, cachoeiras e açudes ; fiz topless em Trancoso e na praia do Pepino

Dormi em roça, em um farol no meio do oceano, caminhei milhas e milhas, fiz trilhas em ilhas e em uma aldeia indígena.

Acampei no mato, na praia; me hospedei no Hilton em frente ao Hyde Park, e em simpáticas pousadas no meio do nada.

Naveguei em canoa, lancha, saveiro; andei na boleia de caminhão, na carona de carroça, a bordo de carruagem no Central Park; voei de avião e na garupa de motos; cavalguei estradas e morros em um mangalarga. 

Fui bater ponto dez vezes em Nova York; passeei pela orla de Miami; vaguei pelas noites de Buenos Aires; explorei o Coliseu de Roma.

Brinquei que nem criança na Disney com meus filhos; tirei onda no Palácio de Buckingham, em Londres, e lá conheci onde morou a Diana.

Dancei axê até o dia raiar em Porto Seguro; dancei num "queijo" na antológica discoteca londrina 'Ministry Of Sound'; e me requebrei de biquíni ao som do "The Clash" em cima de uma mesa em Arraial D'Ajuda.

Me acabei outro dia nas pistas do Armin e, anos atrás, rodopiei nos melhores clubs de Manhattan; e não, não dancei tango na Argentina, mas cumbia com um moreno lindo com dreads até a cintura. 

Sambei em mil blocos no Rio de Janeiro, desfilei na avenida em cinco escolas de samba, incluindo a minha amada Portela.

Tive o privilégio de ver Fernanda Montenegro e Paulo Autran atuando no teatro; de assistir a ópera Carmem de Bizet no Cólon, e Aida de Verdi no Municipal.

Soltei muito a voz no chuveiro, cantei sério em serestas familiares, fui ovacionada em um karaokê em Laranjeiras cantando Gal.

Em alguns shows inesquecíveis, Fred Mercury jogou cerveja em mim; pude ver de perto o suor da Madonna e da Britney, e as expressões dos rostos de Michael Jackson, Jamiroquai, Elton John e Rihanna.

Jantei com Lucy e Hebert Vianna; Renato Russo (meio bêbado) um dia me parou em uma esquina de Ipanema para falar sobre o meu destino ; fui apresentada ao Caetano Veloso, e tive a oportunidade de ficar longamente atracada com o Roberto Carlos.

Bati papo com Lulu Santos, conversei horas com Carlinhos Brown; ganhei flores das mãos do Cazuza em um show; uma dedicatória-poema do Chacal; e (sem querer) botei a mão na bunda da Jennifer Lopez, ao posar com ela para uma foto.

Ricky Martin cantou 'Maria Maria' pra mim no seu camarim; Luís Melodia também cantou 'Vesti Azul' pra mim em uma ponta de bar; e Al Pacino sorriu pra mim (duas vezes) em uma calçada no Upper East Side. 

Desfrutei de tardes e tardes perambulando pelos corredores do Malba, do Moma, do Guggenheim, do Metropolitan, do MAM, do Museu do Amanhã, do CCBB e do Instituto Moreira Salles.

Gastei boas horas de pé, contemplando obras maravilhosas de Picasso, Renoir, Jean Basquiat, Adriana Varejão, Matisse, Dalí, Tarsila do Amaral, Rodin, Portinari, Frida Kahlo, Modigliani, Rodin, Lygia Clark, Maria de Medeiros, Diego Rivera e tantos mais deuses da arte.

Passei um réveillon sob as luzes da Times Square; outro em uma ilha iluminada por tochas; outro sob os fogos de Copacabana; outro descalça , em Ubatuba, com um desconhecido maravilhoso; e dois deles sozinha em casa, quieta no meu canto.

Tive meu estilo elogiado por Constança Pascolato; minha graça elogiada por Austregésilo de Athayde; dividi mesa de almoço com Marieta Severo; e minha primeira entrevista exclusiva foi com o Zico.

Tomei vinhos memoráveis em companhias ordinárias e tomei cachaças vulgares em luxuosas companhias. Dei a volta ao mundo nos braços de carioca, baiano, goiano, paulista, italiano, mexicano, espanhol, catalão, londrino, americano, chileno, argentino, suíço, angolano.

Dei uns bons beijos em objetos de desejo impossíveis; fiquei forçadamente celibatária por um tempo impublicável ; flertei com uma centena de gatos; fiz muito sexo volátil.

Tive algumas paixões platônicas, muitos romances bacanas, mas também já rejeitei e fui rejeitada, e, outro dia mesmo, levei um homérico vácuo.

Até hoje, tive uns cinco grandes amores, casei-me com dois deles, e ainda tenho disposição para amar mais e melhor, quem assim merecer.

Até porque amar é a maior qualidade do DNA da minha família: recebi amor de pai,  de mãe, de irmãos, de avô, avós, tios, primos e sobrinhos.

Coloquei no mundo dois filhos adoráveis, inteligentes, amorosos, independentes e , ainda por cima, lindos. Eduquei, cantei pra eles, rimos muito, passeamos por mil cantos, inventamos encantadoras histórias juntos, e hoje eles estão entre os meus melhores amigos.

Aliás, tenho amigos de longa data e alguns, mais recentes, com idades até para serem meus filhos. São os meus companheiros de intermináveis papos, filosofias baratas, gostosas risadas, porres, viagens enfumaçadas; testemunhas oculares de cenas impagáveis.

Me apresentei em palcos dançando ballet moderno; ganhei dinheiro pela primeira vez como modelo amadora; saí em jornais, escrevi para alguns, publiquei textos em revistas, assinei coluna de moda em um portal da Bahia, e dezenas de posts para blogs.

Me graduei como jornalista,  e fiz (e faço ainda) mil cursos, incluindo alguns cara a cara com profissionais que são quase ídolos (de tanto que eu os admiro), como um de crônicas com Marina Colasanti, um de teatro com Ney Latorraca e um de cinema com Walter Salles.

Fui gerente artística de casa noturna famosa; assessora de imprensa de festivais de rock e de música eletrônica; trabalhei em rádio e gravadora; fiz reportagem para TV, produzi para o cinema, fui assessora de chefs, vendi em barraca de  feira de antiguidades;  dei palestras em universidades.

Em mais de uma ocasião,  fiquei dura sem ter como pagar nem uma passagem de ônibus, e já tive o suficiente para comprar um carro sem precisar checar meu saldo.

Levei meus filhos em paradas gay, gritei em passeatas defendendo um monte de causas; já acreditei em respostas exatas;  me consultei com cartomantes e videntes; fiz análise e mapa astral.

Nas minhas buscas, acompanhei procissões, frequentei igrejas e terreiros; meditei em templos budistas em profundo silêncio. 

Assisti a uma centena de filmes nas telas, li dezenas de bons livros, milhares de artigos, e vou continuar a fazer tudo isso, sempre.

Como um longo ensaio, escrevi anonimamente centenas de poemas, contos, crônicas, pensamentos e, finalmente, depois de quase 20 anos de idas e vindas, estou terminando meu primeiro livro.

Durante todo esse caminho, chorei algumas vezes de doer os músculos do rosto, de cair no chão em frangalhos; porém, também dei muitas gargalhadas de doer a barriga e desopilar o fígado.

Já fui travada e já fiquei desatinada; errei, me equivoquei feio, tive alguns arrependimentos dolorosos, outros mais amenos, mas tenho muito mais para celebrar e me orgulhar.

Ao listar tudo isso, percebo que mesmo sem estar nadando em dinheiro, a  minha trajetória já tornou-me irremediavelmente rica.

E realizo que, se morresse amanhã, percalços  a parte, eu seria grata pela história da minha vida que já está escrita.

Mas eu ainda estou por aqui, e pretendo acrescentar alguns capítulos a mais; continuar fazendo valer cada dia que eu respiro, sem medo.

Porque, mesmo que de vez em quando machuque, eu prefiro cair de boca na vida do que parar de me mover, de me abrir, de aprender, experimentar, de evoluir.

O futuro é hoje.


19.4.18

Capítulo aberto


Você não vira a página...

Se não sabe bem o que está lendo
Se não parou para ver do que se trata
Se não se interessou em explorar as abas
Se não se deu o trabalho de ler sobre o autor
Se não procurou ver os comentários sobre a obra

Você pode arrancar a página
Fechar aquele livro pra sempre
E até jogá-lo no lixo mais próximo

Mas você não terá virado a página
E nunca saberá o resto daquela história ...

2018


18.4.18

Saudade 59


Sexo
Beleza
Diversão
Companhia
Tudo se obtêm

Mas

Conexão
Sedução
Desafio
Fino humor
Não se encontra...fácil




2018

17.4.18

Dance bem, dance mal...



“Eu não sei dançar” “Eu não danço nada” “Não gosto de dançar”. Quantas vezes ouvimos isso.  E quando é de um crush que estamos caidinhas e ele lança essa? Como assim? Que tiro foi esse no nosso interesse?

Ok. Ninguém precisa saber dançar bem, dar show, angariar plateias, mas dançar é fundamental e sintomático, porque tem a ver com liberdade, com permitir-se, expressar-se.  Sim, o gato pode ser o rei do xaveco e arrasar nos finalmentes, mas alguma coisa pode dar defeito, porque dançar é orgânico e se recusar a balançar o esqueleto pode significar algum tipo de trava!

Você pode pensar: eu não gosto de dançar e não tenho limitação alguma, não sou obrigado. E nem eu estou dizendo que isso é um problema, o que eu acho é que isso é um sintoma, isso sim. Um sintoma de que você não está soltando tudo, se jogando, vivendo a plenitude das suas possibilidades físicas e emocionais.

Dançar é sentir, se deixar levar; colocar corpo, coração, mente e espírito a serviço do prazer de se envolver com uma atmosfera, com o impalpável. Se você não gosta de dançar e vai para a balada apenas para curtir os amigos na pista, experimente um dia cair de boca nela. Por que não?!

Comece em casa, sozinho, com uma música que fale a você. Feche os olhos, perceba os ritmos, as batidas, as ondas, e vai se mexendo, encaixando movimentos aqui e ali; relaxe, largue o controle, a necessidade de perfeição, o receio de não agradar, o medo de se expor. Encontre o seu dançar, o prazer absoluto de ser você, mesmo que seja com passinhos toscos. E daí?

A dança faz parte da evolução humana, remonta aos tempos pré-históricos, veio antes da comunicação oral. Há registros de arqueólogos que descobriram desenhos dos primeiros homens que praticavam essa arte em diferentes cavernas na Europa, África e Ásia.

Por conta disso, dizer que não gosta de dançar é algo como dizer que não gosta de falar, de andar ou que não gosta de música. Então, se você não curte ou acha que não sabe, desconfie e  desafie-se. Como já bem disse o mestre Lulu Santos: “dance bem, dance mal, dance sem parar, dance bem, dance até sem saber dançar”.

2018

1.4.18

Córrego


Os sentimentos evocados por um amor
São como pedras no fundo de um córrego

Os dias passam, as estações mudam, as águas rolam
Eles podem emergir e refrescarem-se infinitamente
Ou podem ficar condenados a um afogamento eterno

Um destino que depende da natureza...das escolhas.


2018