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7.8.18

Cecília Meireles




Não seja o de hoje.
Não suspires por ontens....
Não queiras ser o de amanhã.
Faze-te sem limites no tempo.

Cecília Meireles

6.8.18

Espaço


Desocupado
Renovado
Arejado
Inteiro
Branco
Aberto
Pronto
Amplo
Limpo
Solto
Para
Amar
Viver
Tocar
Gozar
Trocar
Curtir
Receber
Encaixar
Experimentar
Que venham novos....textos...





2018

29.7.18

E se...



E se nós...
Se talvez...
E se você...
Será que se...
E se eu não...
E se o tempo...
Ninguém sabe se...
Quem pode dizer se...

Bem, se é assim...que seja.

Mas, e se...







2018

27.7.18

Feito


Decidi que me quero de volta
Com toda a minha vibração esfuziante
Com minha falta de medo de quebrar regras
Com essa vontade de alçar que nunca passa

Decidi me olhar no espelho e me ver de novo
Com a beleza que perdi e com a que ganhei
Com as minhas certezas desconcertantes e
Com as dúvidas que nunca me detêm

Decidi não me importar
Decidi por mim
Decidi assim
Decidi


2018

25.7.18

Aprendi que...





Nem tudo é para realizar
As vezes são apenas ensaios
E querer ir muito além disso
Pode abreviar o espetáculo

Que estava acontecendo...








2018

21.7.18

Limpeza...


De repente, vem uma chuva forte
Primeiro ela molha, depois inunda
Tudo que estava largado, ressecando

A chuva corre por canteiros abandonados
O cheiro da terra sobe, evocando perfumes
Mas o solo apenas alaga, nele nada germina

A chuva então cai somente para varrer e limpar
Não há raízes ou sementes, só trilhas de pedras
Meras lembranças de um jardim que nunca floresceu


2018

12.7.18

Somos todos replicantes


Cada pessoa tem uma impressão digital que a distingue, assim como um DNA. Somos seres únicos, cada um com seus particulares talentos, com suas próprias dificuldades e com uma capacidade única de ampliar o que tem de bom ou potencializar o que tem de fraco. Escolhas.

É interessante observar que, no entanto, o mundo como foi criado pelo homem, o tempo todo tenta enquadrar todos: uma forma de pensar, um comportamento a seguir, uma expectativa a cumprir, um modo de vestir, uma maneira de se comportar, um roteiro a seguir. O pior é que todos, quase na totalidade, sempre aceitaram isso como gado. É histórico.Tudo sempre mudou, mas quando mudou virou om novo padrão para todos.

Mas isso agora está grave. As pessoas estão ficando com pânico de querer, de mudar de ideia, de conseguir, de desistir, de insistir, de conquistar, de perder. A humanidade continua regida pelo medo, só que em cargas maiores. A grande ousadia da vida hoje é o mais simples: o ser você. Como com tanta informação, amplidão e possibilidades, isso está ficando mais difícil, ao invés de ficar mais fácil?

As redes sociais, a grande vedete das relações contemporâneas, por exemplo, cresceu como a promessa de um canal para todos se expressarem e destacarem suas individualidades, mas todo mundo quer ser igual a todo mundo; todo mundo quer gostar do que todo mundo está gostando, sem ao menos se perguntar se o que o outro demonstra é autêntico e se lhe cabe.

O mundo está virando um gigantesco faz de conta, onde frase de efeitos, fotos editadas, filtros manipulados, motivações estratégicas e perfis falsificados de si mesmos revelam que, na verdade, ao contrário do que se propaga, ninguém é perfeitinho e tão feliz, e a maioria sequer está satisfeita com a própria vida.

Gerações anteriores se debateram, se rebelaram. gritaram, lutaram, questionaram, atacaram, e até morreram por rejeitar dezenas e dezenas de padrões impostos pelo mundo do que é bom, certo, bonito, válido, tolerável. 

E agora? Em plena era dos haters, que descuidam da própria vida para apontar o dedo para quem eles acham que não está sendo o suficiente perfeito na própria? E agora? Na era das fake news, que desbancaram o perigo das informações manipuladas pelos veículos oficiais de comunicação, criando simplesmente do nada, o que possa servir a quem interessa ou apenas entreter ao avesso? E agora? Com a internet colocando os vulneráveis ao alcance fácil dos predadores?

Estamos anulando as emoções pelo o que é conveniente, deixando de olhar e conhecer o outro,  deixando de aprender sobre de quem fato somos. Estamos falhando na compaixão, enfraquecendo na honestidade, preferindo o que e quem é mais fácil; o que e quem está ao alcance; o que e quem é mais aceitável ou tem um status mais compatível com nossos anseios emprestados. Estamos desabilitando os sentimentos, virando clones de nós mesmos, replicantes de Blade Runner!

E o que faremos? Gritar socorro, mostrar-se preocupado, reconhecer, reagir, negar, mudar, revolucionar, nada disso está entre os trends. O que podemos fazer, na verdade, está nos fóruns íntimos,  no cara a cara com o espelho, no deitar no travesseiro, no olhar para o próprio umbigo e se perguntar: O que que é que eu estou fazendo? Para onde estou indo? É isso que eu quero? Está bom pra mim? Quem eu realmente sou? E...assumir tudo isso para si mesmo e, depois, para o universo.

Parece simples, apenas um jogo de perguntas, mas a questão é que não vai adiantar recorrer à respostas padronizadas, porque não se trata de apaziguar as insatisfações de clientes em uma espécie de SAC da vida. Trata-se da sua existência, da sua essência, da sua alma, do seu destino, de você.

E o livre exercício de ser exatamente quem você é que está comprometido nesse emaranhado de padrões que se repetem a cada consumo desnecessário, a cada post, a cada vídeo, a cada meme propagado, a cada mensagem vazia, a cada link compartilhado, a cada pensamento que não se alonga, que não se desenvolve, que é interrompido por esse excesso de atenção fragmentada que está nos arrancando de nós mesmos.


2018




11.7.18

Maya Angelou



Aprendi que, aconteça o que acontecer, pode até parecer ruim hoje, mas a vida continua e amanhã melhora.
Aprendi que dá para descobrir muita coisa a respeito de uma pessoa observando como ela lida com três coisas: dia de chuva, bagagem perdida e luzes de árvore de natal emboladas.
Aprendi que, independentemente da relação que você tenha com seus pais, vai ter saudade deles quando eles saírem da sua vida.
Aprendi que ganhar a vida não é o mesmo que ter uma vida.
Aprendi que a vida, às vezes, nos oferece uma segunda oportunidade.
Aprendi que a gente não deve viver tentando agarrar tudo pela vida afora. Temos que saber retribuir também.
Aprendi que quando decido alguma coisa com o coração aberto, em geral tomo a decisão certa.
Aprendi que mesmo quando tenho dores, não preciso me tornar uma.
Aprendi que todo dia a gente deve estender a mão e tocar alguém.As pessoas adoram um abraço apertado, ou mesmo um simples tapinha nas costas.
Aprendi que ainda tenho muito o que aprender.
Aprendi que as pessoas esquecerão o que você disse, as pessoas esquecerão o que você fez, mas as pessoas nunca esquecerão como você as fez sentir. 

(Maya Angelou)

10.7.18

Texto final


Envolvem, investem, criam
Pontuam emoções espontâneas
Gaguejam felizes entre risos
Geram expectativas, equívocos
Tentam preencher vazios,vácuos
Enganam percepções indesejáveis
Registram reencontros e saudades
Brotam em meio a lágrimas sentidas
Explicam  meandros incompreensíveis
Celebram os bons momentos como fogos
Oxigenam, alimentam, dão uma sobrevida

Até se desgastarem, se exaurirem e calarem

Nem mesmo elas resistem quando tudo se esvai
Porque palavras servem apenas ao que está vivo.

2018

9.7.18

Outono



Sentimentos podem ganhar forma e florescer
Adquirir camadas, serem tridimensionais
Podem ter cheiros, cores e texturas
Tornarem-se algo quase sólido

Mas, alguns sentimentos não chegam a tanto
Apesar de tornarem-se perceptíveis, vivos
São interceptados e vão murchando
Ficando opacos, esmaecendo

E mesmo que ainda sejam resumidos a vultos
Se ainda vemos algum contorno, estão lá
Em partículas quase invisíveis
Como uma poeira insistente

O tempo é um grande aliado para apagá-los
Mas, para que desapareçam de uma vez
Cabe a você soprá-los com decisão
Consciente e ininterruptamente

A consumação da tarefa é toda sua, porque
Sentimentos se apegam aos galhos
Então, que venha de você
A ventania...


2018




7.7.18

Eu penso que...


Atitude são palavras com boca, braços, pernas, coragem e verdade!





2018

5.7.18

Vôo


Nesse mundo tão cheio de posses
E de expectativas que viram verdade
É interessante e desafiador ter que aprender
A desapegar do que, de fato, nunca te pertenceu

E, então, quando você consegue
Vem a impressão libertadora e única
De que, na verdade, foi você que saiu da gaiola
Voltando aos vôos e ao rumo com suas próprias asas



2018

2.7.18

Freeway


(...)

Ela caminha sozinha pelo asfalto
É tarde da noite e ela está invisível
Os faróis dos carros ofuscam seus olhos
A escuridão faz fundo para seus pensamentos

Ela vaga
Só quer andar
Ir pra bem longe
Se perder e se achar

Ela não quer reincidir
Ela não quer sentir
Ela não quer ver

Apenas seguir
Sem olhar
Pra trás.







2018

27.6.18

Ar fresco




Um sorriso manso
Um olhar ameno
Vem  chegando
Vem  devagar
Sem pressão
Sem pressa
Pra quê?
Se for
Será
É...






2018


26.6.18

Let it be...



Se guarde para obras inteiras
Não se gaste por episódios

Deixe ir
Deixe ser
Deixe estar

O que é, simplesmente, é

Acontece
Continua
Arraiga

Se você tem que fazer força

Para seguir
Para efetivar
Para entender

É porque não está

Sucedendo
Somando
Fluindo

É porque não está livre

Deixe ir
Deixe ser
Deixe estar

Fique solto, voe sozinho

Não perca tempo
Desemaranhando nós
Que nunca foram laços



2018

25.6.18

Guimarães Rosa



O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.

        (Grande Sertão: Veredas, Guimarães Rosa.)




23.6.18

Destino




E no final
O resultado
Foi desacontecer
O que nunca aconteceu
O que nunca aconteceria
O que nunca teve
Um  começo
Só um fim







2018

22.6.18

Dead looping


E você acredita Investe Estranha Desconfia Ignora Cede Volta Tenta Confia Desconhece Duvida Recua Retoma Prossegue Sente Gosta Solta Valoriza Permite Questiona Cai Reage Briga Agride Corta Cala Lembra Pondera Considera Perdoa Recai Insiste Espera Desiste Expressa Desapega Reflete  Até que chega não a uma resposta A uma solução A uma conclusão  Mas a uma pergunta

Era pra tanto?




2018

21.6.18

Poupe-se



(...)

Algumas vezes você tem que dar apenas o que o dia está pedindo...sem o menor esforço extra.

Respeitar a nossa dinâmica orgânica é essencial para preservarmos forças para momentos mais importantes, onde muitas vezes temos que colocar no jogo até o que (aparentemente) não temos...

Podemos (quase) tudo, mas a sabedoria de puxar o necessário das nossas prateleiras no momento exato é que faz a diferença.




2018

20.6.18

Estação



Ela mantém um olhar fixo, debruçada na sacada, tomando um café que nunca termina ou esfria...

Está paralisada olhando do alto aquele trem passando...um trem longo, com inúmeros vagões transparentes, de onde é possível ver jóias, tapeçarias luxuosas, porcelanas delicadas, cristais brilhantes e muitas, muitas caixas que nunca foram abertas...

Tudo parece intacto, indiferente ao movimento daquele trem veloz; às vezes lento, outras vezes quase parando, cedendo a um hesitante freio...

Aquele conteúdo de reis parece de verdade, mas nada pode ser tocado e ela não consegue exercitar uma ideia de para onde ou para quem tudo aquilo está destinado. Quem sabe ela tenha interceptado, sem querer, uma viagem seleta, discreta, secreta...

Ou talvez aquele trem não esteja indo para lugar algum, esteja apenas viajando, suspenso, fora de alcance; talvez pertença a alguém que não deseja instalar-se, que deseja apenas reter tudo, trancado a oito chaves, seguro das intempéries do lado de fora, da vida...

Ela percebe, intrigada, que alguns vagões estão vazios, com salas arrumadas e decoradas como se esperassem ocupantes. Mas, não há como entrar nelas. É um convite e, ao mesmo tempo, uma impossibilidade...

Ela continua observando atenta. Está fascinada. Ela quer entrar, explorar, conhecer, mas aquele imenso baú em movimento não tem fendas, não tem janelas abertas e nem portas destrancadas...É um trem blindado. 

Ele apenas passa, deixando um rastro indelével de quereres e frustrações, fazendo quem entrou em contato com ele lembrar que o mundo era melhor quando ele ainda não havia cortado a paisagem vigente...

Após alguns meses, ela leva a xícara até a boca em mais um gole, mas se dá conta de que o café acabou. Ela entra para buscar um pouco mais. Quando volta, ao chegar ao arco da porta que dá para a sacada, avista os trilhos vazios...

Ela respira fundo, olha  para o céu em um movimento amplo com todo o corpo, e retorna finalmente ao seu próprio caminho...




2018

18.6.18

Restart!


(...)

E cada vez que meu corpo encosta no chão
Com um tombo
Eu levanto e começo a subir, flutuando, mais leve
Mas não mais fraca
Nem tenho mais medo de cair ou de me ferir no caminho
Faz parte da minha dinâmica
Quando você entende e aceita a sua jornada, aprende com ela
E não se encolhe ou quebra, amplia...



Photo: John Lund (sepia blog version)



2018

16.6.18

Borbotões



(...)

Não, não me peça para economizar o que tenho de sobra
Eu sei que Cazuza poderia entender isso muito bem
E espero que isso não seja restrito a poetas

Ou a loucos...



2018

15.6.18

Escambo...




Sim, eu confesso que trocaria

Impossibilidades por ações
Diferenças por afinidades
Mentiras por honestidade
Distância por encontros
Silêncio por palavras
Nunca  por um talvez
Saudade por coragem
Acabou  por um vem

Ao invés de  negar
Ao invés de  sonhar
Ao invés de  superar
Ao invés de  desejar
Ao invés de  inventar
Ao invés de  esquecer
Ao invés de  fantasiar

Sim, eu de fato trocaria
Esse texto por uns beijos

Arriscar é sempre muito melhor
Do que todos os verbos do planeta
Que, no final das contas, significam 

Não ter, não tocar, não sentir, não viver



2018

12.6.18

Sobre mares e amar...



Felizes daqueles

Que nadam despreocupados
Que curtem deslizar nas ondas
Ou o impacto de ir ao encontro delas

Felizes daqueles

Que sentem o sol arder na pele
Que não temem o contato com as águas
Algumas vezes quente, outras muito gelada

Felizes daqueles

Que mergulham de cabeça
Que abrem os olhos sem medo do sal
E vão ao fundo até tocá-lo e tornar-se parte

Felizes daqueles que amam
E sabem amarear...


Photography by Mark Pace (sepia blog version)

2018

10.6.18

Aviso aos navegantes


Que seja violento Visceral Destravado Imodesto Abusado Empreendedor Destemido Farto Que seja sem fronteira Sem outrora Sem embora Que chegue chegando Sem hora Agora Que fale pouco Fale sério Fale com silêncios Que não seja aleatório Que venha para surpreender Impactar Quebrar estatísticas Que me pegue com a mão cheia Que me pegue forte Me pegue firme Me atenha Que tenha cumplicidade Conexão Sentimento Ou não venha pra dentro Passe ao largo Passe batido Segue rumo E me deixe a sós com o meu oceano.

2018

9.6.18

Permita-me


Permita-me

Ignorar  pessoas rasas
Ignorar  palavras rasas
Ignorar  intenções rasas

Recusar  seduções voláteis
Recusar  beijos descartáveis
Recusar  sexos irresponsáveis

Rejeitar  estupidez existencial
Rejeitar  vaciladas sintomáticas
Rejeitar  negligencias emocionais

Rechaçar  quem não percebe o outro
Rechaçar  quem não quer se conhecer
Rechaçar  quem não assume o que quer

Não ver  intenções em inconsistências
Não ver  sentido em atitudes desconexas
Não ver  verdades em mentiras deslavadas

Permita-me dar atenção apenas para mim mesma
Permita-me seguir apenas a minha própria rota
Permita-me ficar com a minha própria companhia

Permita-me crescer, ampliar, evoluir, transmutar

Permita-me descansar e existir sozinha...(por hora)

1.6.18

Passos 1



(...)

E então ela pensou:

Vou morrer de saudade

Mas...

Como saudade não mata
Vou  me despir dela
E seguir com a vida

Nua.







2018

31.5.18

Epílogo


Além da realidade
Fora desse mundo
Entre paredes
Invisível
Em mim

Desejos
Resquícios
Farta sobra
Para degustar
Aquém do íntimo

Coisas da emoção
Que se manda
Independente
Amotinada
Rebelde

Vencida
Esmorecida
No seu tempo
De desaparecer
Se perder por aí

Ou transmutar-se
Em nova energia 
Para retomar
A estrada
E voltar
A amar
Outra
Vez
...





2018


30.5.18

Padrão


Retrocesso
Mergulho
Fundo
Luto

Vai
Sai
Sol

Vida
Volta
Sozinha
Fortalecida

Sol
Sai
Vai

Recuperada
Retoma
Plena
Dona

Sai
Sol
Vai

Vive
Sente
Cresce
Enriquece

Sol
Vai
Sai

Experimenta
Recomeça
Arrisca
Luta

Vou
Sol
Sou

Viva
Liberta
Dinâmica
Determinada



2018



29.5.18

O dia D


Um pouco mais de apego...
Um pouco mais de espera...
Um pouco mais de crédito...
Um pouco mais de silêncio...
Um pouco mais de esperança...
Um pouco mais de sentimento...
Um pouco mais de insistência...

Esse tempo terminou (Ponto)

A última palavra
Foi proferida
Foi minha

Desisti

Da amizade
Da Paixão
De você

De nós

Pode me esquecer em paz



2018

27.5.18

bem no fundo - Paulo Leminsky


no fundo, no fundo,
bem lá no fundo, a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto

a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo

extinto por lei todo o remorso,
maldito seja quem olhar pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais

mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas


(1987 - Paulo Leminski, do livro “Distraído venceremos”)

26.5.18

Hoje!


As vezes tentamos deixar um sentimento no passado
Porque não acreditamos que exista futuro nele
Só que se o sentimento ainda existe no hoje
Ele já existe no futuro, assim como tudo
Afinal, independente de quanto dure
O futuro é um monte de hojes
Muitas vezes desperdiçados
Muitas vezes perdidos
Em tempos vazios
Em equívocos
Em vacilos
Em medos
De amar
De ser
Dois
Um




2018

24.5.18

Limite.


Enfrenta o medo
Anda no escuro
Estica  muito
Vai no fundo
Vive tudo

Acredita
Insiste
Quer
Crê

Até esgotar
Até acabar
Até o fim

E liberta...


2018




22.5.18

Enfim...


(...)

Então que se vá
Como os ventos
Como o tempo
Como  tudo
Que passa
E acaba
Fim





2018

18.5.18

Últimos suspiros



Te  chamo para  um café ameno
Bato no seu peito com raiva
Me jogo nos seus braços
Levo um soco calado
Falo em monólogo
Raspo o tacho

Procuro pelas lágrimas
Mas não as encontro
Elas se recolheram
Para felicidades...







2018

11.5.18

9.5.18

Processos


Tempo, tempo, tempo, tempo
Para achar todos os laços
Para procurar as pontas
Para desatar os nós
Desamarrar tudo
Soltar e ir
De novo
Livre





2018

26.4.18

Cajá!


Gente, carros, tráfego, sinal, barulho, hora, pressa, calor

De repente, no meio de tudo, vi uma inusitada barraca de cajá
Meu corpo embalado, continuou, nem hesitou, seguiu direto, reto
Mas...era cajá  da minha infância, de pegar no pé e comer fresco

Pisei com minhas lembranças no freio, parei, voltei, voltei pro cajá
Parei na barraca e sorri só de reconhecer aquela frutinha tão familiar
Minha vida se encheu de sol, de amigos, de inocência, de risos, de cajá

Segui o dia com a bolsa cheia de cajás; peguei metrô, andei, resolvi coisas
Só no dia seguinte, depois de um monte de compromissos, é que lembrei do cajá
Peguei um, devorei com boca de criança, e percebi que ela estava ali escondidinha

No meio de um monte de gente, do trânsito, da pressa, das horas, das missões, de mim


2018


23.4.18

Minha Crônica 1



Nadei nua em praias desertas, cachoeiras e açudes ; fiz topless em Trancoso e na praia do Pepino

Dormi em roça, em um farol no meio do oceano, caminhei milhas e milhas, fiz trilhas em ilhas e em uma aldeia indígena.

Acampei no mato, na praia; me hospedei no Hilton em frente ao Hyde Park, e em simpáticas pousadas no meio do nada.

Naveguei em canoa, lancha, saveiro; andei na boleia de caminhão, na carona de carroça, a bordo de carruagem no Central Park; voei de avião e na garupa de motos; cavalguei estradas e morros em um mangalarga. 

Fui bater ponto dez vezes em Nova York; passeei pela orla de Miami; vaguei pelas noites de Buenos Aires; explorei o Coliseu de Roma.

Brinquei que nem criança na Disney com meus filhos; tirei onda no Palácio de Buckingham, em Londres, e lá conheci onde morou a Diana.

Dancei axê até o dia raiar em Porto Seguro; dancei num "queijo" na antológica discoteca londrina 'Ministry Of Sound'; e me requebrei de biquíni ao som do "The Clash" em cima de uma mesa em Arraial D'Ajuda.

Me acabei outro dia nas pistas do Armin e, anos atrás, rodopiei nos melhores clubs de Manhattan; e não, não dancei tango na Argentina, mas cumbia com um moreno lindo com dreads até a cintura. 

Sambei em mil blocos no Rio de Janeiro, desfilei na avenida em cinco escolas de samba, incluindo a minha amada Portela.

Tive o privilégio de ver Fernanda Montenegro e Paulo Autran atuando no teatro; de assistir a ópera Carmem de Bizet no Cólon, e Aida de Verdi no Municipal.

Soltei muito a voz no chuveiro, cantei sério em serestas familiares, fui ovacionada em um karaokê em Laranjeiras cantando Gal.

Em alguns shows inesquecíveis, Fred Mercury jogou cerveja em mim; pude ver de perto o suor da Madonna e da Britney, e as expressões dos rostos de Michael Jackson, Jamiroquai, Elton John e Rihanna.

Jantei com Lucy e Hebert Vianna; Renato Russo (meio bêbado) um dia me parou em uma esquina de Ipanema para falar sobre o meu destino ; fui apresentada ao Caetano Veloso, e tive a oportunidade de ficar longamente atracada com o Roberto Carlos.

Bati papo com Lulu Santos, conversei horas com Carlinhos Brown; ganhei flores das mãos do Cazuza em um show; uma dedicatória-poema do Chacal; e (sem querer) botei a mão na bunda da Jennifer Lopez, ao posar com ela para uma foto.

Ricky Martin cantou 'Maria Maria' pra mim no seu camarim; Luís Melodia também cantou 'Vesti Azul' pra mim em uma ponta de bar; e Al Pacino sorriu pra mim (duas vezes) em uma calçada no Upper East Side. 

Desfrutei de tardes e tardes perambulando pelos corredores do Malba, do Moma, do Guggenheim, do Metropolitan, do MAM, do Museu do Amanhã, do CCBB e do Instituto Moreira Salles.

Gastei boas horas de pé, contemplando obras maravilhosas de Picasso, Renoir, Jean Basquiat, Adriana Varejão, Matisse, Dalí, Tarsila do Amaral, Rodin, Portinari, Frida Kahlo, Modigliani, Rodin, Lygia Clark, Maria de Medeiros, Diego Rivera e tantos mais deuses da arte.

Passei um réveillon sob as luzes da Times Square; outro em uma ilha iluminada por tochas; outro sob os fogos de Copacabana; outro descalça , em Ubatuba, com um desconhecido maravilhoso; e dois deles sozinha em casa, quieta no meu canto.

Tive meu estilo elogiado por Constança Pascolato; minha graça elogiada por Austregésilo de Athayde; dividi mesa de almoço com Marieta Severo; e minha primeira entrevista exclusiva foi com o Zico.

Tomei vinhos memoráveis em companhias ordinárias e tomei cachaças vulgares em luxuosas companhias. Dei a volta ao mundo nos braços de carioca, baiano, goiano, paulista, italiano, mexicano, espanhol, catalão, londrino, americano, chileno, argentino, suíço, angolano.

Dei uns bons beijos em objetos de desejo impossíveis; fiquei forçadamente celibatária por um tempo impublicável ; flertei com uma centena de gatos; fiz muito sexo volátil.

Tive algumas paixões platônicas, muitos romances bacanas, mas também já rejeitei e fui rejeitada, e, outro dia mesmo, levei um homérico vácuo.

Até hoje, tive uns cinco grandes amores, casei-me com dois deles, e ainda tenho disposição para amar mais e melhor, quem assim merecer.

Até porque amar é a maior qualidade do DNA da minha família: recebi amor de pai,  de mãe, de irmãos, de avô, avós, tios, primos e sobrinhos.

Coloquei no mundo dois filhos adoráveis, inteligentes, amorosos, independentes e , ainda por cima, lindos. Eduquei, cantei pra eles, rimos muito, passeamos por mil cantos, inventamos encantadoras histórias juntos, e hoje eles estão entre os meus melhores amigos.

Aliás, tenho amigos de longa data e alguns, mais recentes, com idades até para serem meus filhos. São os meus companheiros de intermináveis papos, filosofias baratas, gostosas risadas, porres, viagens enfumaçadas; testemunhas oculares de cenas impagáveis.

Me apresentei em palcos dançando ballet moderno; ganhei dinheiro pela primeira vez como modelo amadora; saí em jornais, escrevi para alguns, publiquei textos em revistas, assinei coluna de moda em um portal da Bahia, e dezenas de posts para blogs.

Me graduei como jornalista,  e fiz (e faço ainda) mil cursos, incluindo alguns cara a cara com profissionais que são quase ídolos (de tanto que eu os admiro), como um de crônicas com Marina Colasanti, um de teatro com Ney Latorraca e um de cinema com Walter Salles.

Fui gerente artística de casa noturna famosa; assessora de imprensa de festivais de rock e de música eletrônica; trabalhei em rádio e gravadora; fiz reportagem para TV, produzi para o cinema, fui assessora de chefs, vendi em barraca de  feira de antiguidades;  dei palestras em universidades.

Em mais de uma ocasião,  fiquei dura sem ter como pagar nem uma passagem de ônibus, e já tive o suficiente para comprar um carro sem precisar checar meu saldo.

Levei meus filhos em paradas gay, gritei em passeatas defendendo um monte de causas; já acreditei em respostas exatas;  me consultei com cartomantes e videntes; fiz análise e mapa astral.

Nas minhas buscas, acompanhei procissões, frequentei igrejas e terreiros; meditei em templos budistas em profundo silêncio. 

Assisti a uma centena de filmes nas telas, li dezenas de bons livros, milhares de artigos, e vou continuar a fazer tudo isso, sempre.

Como um longo ensaio, escrevi anonimamente centenas de poemas, contos, crônicas, pensamentos e, finalmente, depois de quase 20 anos de idas e vindas, estou terminando meu primeiro livro.

Durante todo esse caminho, chorei algumas vezes de doer os músculos do rosto, de cair no chão em frangalhos; porém, também dei muitas gargalhadas de doer a barriga e desopilar o fígado.

Já fui travada e já fiquei desatinada; errei, me equivoquei feio, tive alguns arrependimentos dolorosos, outros mais amenos, mas tenho muito mais para celebrar e me orgulhar.

Ao listar tudo isso, percebo que mesmo sem estar nadando em dinheiro, a  minha trajetória já tornou-me irremediavelmente rica.

E realizo que, se morresse amanhã, percalços  a parte, eu seria grata pela história da minha vida que já está escrita.

Mas eu ainda estou por aqui, e pretendo acrescentar alguns capítulos a mais; continuar fazendo valer cada dia que eu respiro, sem medo.

Porque, mesmo que de vez em quando machuque, eu prefiro cair de boca na vida do que parar de me mover, de me abrir, de aprender, experimentar, de evoluir.

O futuro é hoje.


19.4.18

Capítulo aberto


Você não vira a página...

Se não sabe bem o que está lendo
Se não parou para ver do que se trata
Se não se interessou em explorar as abas
Se não se deu o trabalho de ler sobre o autor
Se não procurou ver os comentários sobre a obra

Você pode arrancar a página
Fechar aquele livro pra sempre
E até jogá-lo no lixo mais próximo

Mas você não terá virado a página
E nunca saberá o resto daquela história ...

2018


18.4.18

Saudade 59


Sexo
Beleza
Diversão
Companhia
Tudo se obtêm

Mas

Conexão
Sedução
Desafio
Fino humor
Não se encontra...fácil




2018

17.4.18

Dance bem, dance mal...



“Eu não sei dançar” “Eu não danço nada” “Não gosto de dançar”. Quantas vezes ouvimos isso.  E quando é de um crush que estamos caidinhas e ele lança essa? Como assim? Que tiro foi esse no nosso interesse?

Ok. Ninguém precisa saber dançar bem, dar show, angariar plateias, mas dançar é fundamental e sintomático, porque tem a ver com liberdade, com permitir-se, expressar-se.  Sim, o gato pode ser o rei do xaveco e arrasar nos finalmentes, mas alguma coisa pode dar defeito, porque dançar é orgânico e se recusar a balançar o esqueleto pode significar algum tipo de trava!

Você pode pensar: eu não gosto de dançar e não tenho limitação alguma, não sou obrigado. E nem eu estou dizendo que isso é um problema, o que eu acho é que isso é um sintoma, isso sim. Um sintoma de que você não está soltando tudo, se jogando, vivendo a plenitude das suas possibilidades físicas e emocionais.

Dançar é sentir, se deixar levar; colocar corpo, coração, mente e espírito a serviço do prazer de se envolver com uma atmosfera, com o impalpável. Se você não gosta de dançar e vai para a balada apenas para curtir os amigos na pista, experimente um dia cair de boca nela. Por que não?!

Comece em casa, sozinho, com uma música que fale a você. Feche os olhos, perceba os ritmos, as batidas, as ondas, e vai se mexendo, encaixando movimentos aqui e ali; relaxe, largue o controle, a necessidade de perfeição, o receio de não agradar, o medo de se expor. Encontre o seu dançar, o prazer absoluto de ser você, mesmo que seja com passinhos toscos. E daí?

A dança faz parte da evolução humana, remonta aos tempos pré-históricos, veio antes da comunicação oral. Há registros de arqueólogos que descobriram desenhos dos primeiros homens que praticavam essa arte em diferentes cavernas na Europa, África e Ásia.

Por conta disso, dizer que não gosta de dançar é algo como dizer que não gosta de falar, de andar ou que não gosta de música. Então, se você não curte ou acha que não sabe, desconfie e  desafie-se. Como já bem disse o mestre Lulu Santos: “dance bem, dance mal, dance sem parar, dance bem, dance até sem saber dançar”.

2018

1.4.18

Córrego


Os sentimentos evocados por um amor
São como pedras no fundo de um córrego

Os dias passam, as estações mudam, as águas rolam
Eles podem emergir e refrescarem-se infinitamente
Ou podem ficar condenados a um afogamento eterno

Um destino que depende da natureza...das escolhas.


2018

29.3.18

Fluxo


(...)

O tempo esmaece até amores
Quem dirá mágoas

Só temos que prosseguir
Preservando o bom das cores
E abandonando os dissabores

A renovação é uma escolha
De quem caminha para frente
Sem dar chance a poeiras e limos

Estagnação é um apego
De quem foge das incertezas
Dando chance a atrofias e medos

Viver é puro movimento
O resto é morte lenta.

2018


28.3.18

Passos


Olhe para frente
Para trás ficam jardins
E campos devastados

Terras que passaram
Conquistadas ou perdidas
Presenteadas ou tomadas

O passado é  referência
Cenas e sentimentos
Nada é mais palpável

O destino é o agora
Onde tudo recomeça
Exercite o desapego

Tudo pode ser melhor
Tudo será diferente
Tudo é vida

Respire...


2018

27.3.18

Cartas


(...)

Escrevo cartas imaginárias
Que nunca chegarão ao destino
É como os ossos e músculos que nos sustentam
Mas que não precisamos ver expostos ou sangrando...



 2018

16.3.18

Off


(...)

E ela deixou para conhecer mais daquele homem em outra hora.

Estava com preguiça de (talvez) não gostar...





2018