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21.7.17

Retirada.


Não, my love
Não vou deletar você dessa vez
Parar de te seguir no Face
Arrancar você dos meus contatos
Zunir seu avatar do meu WhatsApp
Mudar de novo a minha playlist

Não haverá mais longas mensagens ou emails
Idas e vindas cheias de tesão turbinado
Expectativas destruídas e reconstruídas
Para um inevitável e previsível desabamento
Meus textos de tão repetidos até viraram plágio
Agora meu status com você é acesso negado

Não vou mais interagir ou te responder
Mas pode assistir minha vida via ciberespaço
Saber on time pelo seu tablet meus novos fatos
Ver que fiquei bem melhor sem as suas dúvidas
E que finalmente conseguiu a minha certeza
De que não quero mais você.

2017

20.7.17

Celebridades Domésticas



Estamos em dias onde todo mundo se acha a celebridade do seu pequeno quadrado
Intenções e sentimentos substituídos por exercícios camuflados de vaidade
Cenas, máscaras, textos, camadas, apenas por atenção imediata e superficial
Que no apagar dos flashes não leva ninguém a nada e nem a lugar algum


2017

14.7.17

Fernandos



Volto do supermercadinho da esquina, onde fui comprar uma Coca-Cola para fazer companhia ao Rum que agora não sai da minha dispensa e dos meus fins de noite ...

A vizinha do prédio em frente está alterada ao telefone; sua voz forte e revoltada corta a noite, atravessa a rua e chama-me a atenção:

— Fernando, quando você me ver na rua finge que não me conhece. Você não é homem! Você não é homem! Chega!

É sexta-feira, dia nacional dos encontros e, principalmente — pelo que me parece ultimamente —  dos desencontros.

As frases repetidas e decididas dela —  meio novela mexicana — me arrancam sorrisos, porque chega a ser engraçado de tão patético. No entanto, a sinceridade daquelas palavras reverberou em mim.

Porque é isso. Estamos na era do posso tudo. Todo mundo está disponível. O mundo agora é um infindável cardápio online e offline de pessoas oferecidas como apetitosos pratos em sites, nas redes sociais, nos bares, nas esquinas.

Mulheres paqueram sem dó homens que são declaradamente comprometidos. Homens caçam novidades sem se preocuparem se elas a outros pertencem e sem lembrarem, muitas vezes, da mulher que já existe em sua vida. Ninguém se pergunta o que realmente busca. Simplesmente ficou fácil.

Não, não tem nada de ousadia, de transgressão ou de coragem. É uma época de covardes. Ninguém quer nada direito ou inteiro. Todo mundo quer tudo e todos sem se preocupar com o que causa, com o que provoca ou com o que rompe.

É a era do "que se dane", desde que os desejos imediatos sejam sanados. A era dos comprometidos infiéis, dos descomprometidos oficiais e, sobretudo, dos irresponsáveis emocionais. Gente que mexe com os sentimentos de quem está quieto por puro entretenimento. Quanta superficialidade. Quem está interessado em descer ao andar de baixo?

E todos incrivelmente reclamam, mas ninguém quer nada, inclusive quem diz que sente falta de alguma coisa. E assim todo mundo tem todos e perde tudo; perde o melhor, a intimidade, os diferentes tons da exclusividade, os segredos, as cumplicidades, o sabor único das peculiaridades.

Globalização, informação, liberdade, acesso; limites ampliados para homens e mulheres optarem por tornarem-se clones. Blade Runner!

— Você não é homem! 

A voz da vizinha ecoa, mas me atenho à minha Coca-Cola, ao meu Rum, ao meu break. Ando particularmente cansada desse teatro de cadeiras vazias. Coloco a minha playlist — aliás, refeita para não evocar o meu próprio "Fernando".

Por hora, ando preferindo a minha própria companhia, com um certo teor alcoólico, reconheço. Um facilitador não para fugir, me alienar, ou me conformar; apenas para relaxar e dar um tempo da bagunça emocional vigente.

Ainda espero surpresas,  não por otimismo ou romantismo, mas por humanidade. Acredito que podemos ser melhores do que isso e que, eventualmente, encontraremos alguém improvável fora desse mainstream de tolos.

 2017

10.7.17

Contramão



Ela está chapada
As últimas gotas de Rum escorrem da garrafa
Be a man! Deep inside.
Não, não há palavras em português
Ela quer quebrar as referências
A saudade transborda...Não há o que fazer
Só fica uma certeza clara, gritante, chapante
De que não se deve brincar com fogo
Se a intenção não é arder...nunca.

Seja por algumas horas
Um mero dia
Algumas semanas
Uns meses errantes
Um ano exasperante
You're just a fucking ghost!
Permita-se. Viva...

Pode ser absolutamente libertador
Perceber que não existem limites
There are fears!
E que as regras não se aplicam a tudo...
Mas...também é importante perceber
Que não se deve chegar tão perto
Do que não consegue reter.

2017

9.7.17

Foi


Ela andava pelas ruas, sentindo o frio daquele inverno inconveniente no pescoço, olhando pra frente sem ver nada. Apenas vagava. Aquelas duas letras ecoavam na sua cabeça, ou melhor, tudo o que elas representavam.

Ela poderia ter escrito mais um longo texto, se debatido em mais um inútil discurso, questionado mais um pouco sobre o que aconteceu, o que poderia e o que jamais deveria ter acontecido. Não era mais o caso. Outras palavras não ditas em conluio com o tempo já haviam gritado que o fim havia chegado, mas gritos são sempre difíceis de ouvir.

São tantos os canais hoje para afirmar, reafirmar ou revelar a falta de intenções e de direções; um emaranhado de vias trafegando em mensagens de texto, celulares, emails, messengers, directs, histories, que a falta de atividade em tantas possibilidades tornam-se um contundente discurso.

Mas sentimentos são old fashion, não conseguem ser tão rápidos, são apegados. Com tantos registros fica ainda mais difícil desconsiderar que aquela certeza não era verdade, que aquela intensidade era ambiguidade, que toda aquela conexão era apenas um entretenimento de ocasião.

Ela andou assim por algum tempo pelas ruas, se despindo em público, tirando das mangas, das dobras, dos bolsos, dos sapatos, das bolsas, preso entre os cabelos; se livrando de tudo que foi provocado, evocado, mexido, revirado, prometido. 

E ficou assim alguns dias, pacientemente procurando cada pedacinho, cada resquício daquela história interrompida por vaidades maiores do que os simples fatos. Jogou tudo fora. Ficou tudo no travesseiro, espalhado pelas ruas, no metrô, na areia da praia; nas conversas cúmplices com os amigos, em desabafos escritos na tela do computador, em mensagens terminais no celular, em rabiscos sem nexo no bloquinho de anotar.

Foi uma limpeza concentrada, doída e com uma certa pressa; uma limpeza cuidadosa para abrir espaço para outras histórias. Afinal, a vida tem que seguir. Pra quem se gosta isso é básico. E assim, naquele dia não datado em que tudo finalmente se esvaiu; ela sentiu, respirou fundo e enviou para o ex-destinatário um "OK" solitário e definitivo.

Ele não entendeu, abandonou sem pena o seu fiel silêncio, enviou e reenviou o "OK" dela de volta acompanhado de pontos de interrogação. Não há resposta, ela não tem mais perguntas. O jogo acabou.



Photo: walldevill  (sepia version)

2017 

8.7.17

Detox

11 Ridiculously Hot Oral Sex Positions You NEED To Try

Fiz Mojitos a quatro mãos, entre aconchegos
Me joguei com vontade em outros braços
Fui olhada sem medo, ri no meio de beijos

Deixei meu corpo ser passeado à vontade
Explorei sem pressa todas as delícias do sexo
Vivi na prática nossos capítulos ensaiados

Embora fisicamente até lembrasse você
Era outro, outro approach, outra coragem
De quem chega inteiro, experimenta, se permite

Alguém que não passa pela vida sobre muros
Que tira a roupa sem receio de deixar o peito aberto
Um momento. Um presente. Uma sorte. Um detox...

Satisfeito?

2017

7.7.17

Calmarias


Tempestades cessam
Podem causar estragos
Mas também refrescam

Tudo pode melhorar com outras perspectivas
De ver a destruição como recomeços
E de entender que o importante é ficar de pé

E aí os dias passam, o céu clareia
E você começa a achar a beleza de novo
De respirar, de se mover, de ser você

É então que os pequenos prazeres ficam grandes
Que a paz de estar de novo ao centro se torna força
E a opção de continuar a crescer faz a vida melhor

Mais importante do que qualquer coisa ao redor
É o que você leva com você
É o que está dentro e tão profundo

Que nada e ninguém consegue tirar-lhe...




Photo José Carlos http://olhares.sapo.pt/j_facas  (sepia version)

2017

6.7.17

Transparência



Absolutamente ninguém sabe o que o outro pensa até que isso seja revelado pelo próprio, sendo que ainda assim podem haver fragilidades, divergências e contradições...

Por isso, o que deve valer é o que você mesmo pensa, sendo que ainda assim podem haver fragilidades, divergências e contradições...

Artwork: Aneta Ivanova (sepia version)

2017

5.7.17

Hoje


Dói...
Ir embora
Ficar
Tudo dói
Certezas
Escolhas
Nãos
Melhor?
Mais fácil
Melhor não
Melhor é sempre
O sim...




2017 

4.7.17

Fim



Não se justifique
Não se explique
Não se desculpe


Não persista
Não exista

Deixa acabar...


2017


3.7.17

Resposta


O silêncio algumas vezes pode ser ouvido como um grito a quilômetros
É quando o que se tem a dizer vai além das palavras
Dos sentimentos
Da razão
De tudo.

2017

2.7.17

Bula






Fui feita para ser consumida ou vomitada,
Mas jamais para ser deixada em banho-maria.



2017




Artwork: Derek Gores (sepia version)

1.7.17

Deadline


Os últimos grãos descem preguiçosos pela ampulheta
Os ponteiros do relógio tropeçam um no outro
O sol resolve dar mais duas voltas completas
A noite, sem pressa de chegar, concorda
Cúmplices dão linha para o último fio
Permanecer à mercê do desejo.

As malas já estão na porta
Mas o Uber não chega
Tudo colabora
Tudo espera
E você volta
Na sua hora...


2017