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27.10.15

Saldos & Calendários


E de repente o tempo passou e você está com uma idade em que os números, rótulos e estigmas apontam que você está começando a parar, enquanto na prática você esta mudando tudo, está revendo, recomeçando, construindo ainda...

E aí a pergunta vem: Porra, mas então qual é o meu saldo até aqui? E daí você percebe que nem precisa mais fazer contas, porque o saldo se revela exatamente proporcional ao que você quer e, principalmente, ao que você não quer mais a essa altura.

O principal é que não dá mais para suportar meias medidas: ou vai ou fica; ou quer ou não quer; entra todo ou nem encosta na borda; diz de uma vez ou fica calado; fuja da chuva ou não tema se molhar; coma merda sem contar calorias ou faça dieta sem se lamentar; prefira a facilidade de ser um personagem mas não me venha falar de profundidades.

E do que valeriam tantos anos e tanta vida se não fosse para você tentar conseguir se encontrar no meio de tanta confusão, de tanta informação, de tanto barulho, de tantas distrações e desvios? Porque no final das contas, o importante não é o saldo do banco, o sucesso, os bens acumulados, o status, tampouco o número falso de amigos nas redes sociais.

O que importa é você saber exatamente quem é; ser capaz de errar, de perceber o erro, e de se esforçar para acertar não para alimentar expectativas alheias, ganhar elogios de vidro ou ostentar uma vida perfeita; de acertar para se tornar a melhor versão de você, escolher o melhor para você e também ser melhor para os outros. 

Fato é que depois de uma certa matemática você não quer mais ver tv querendo ir ao cinema; não quer uma música no lugar de desculpas; não quer substituir o verbo amar por algumas transas; não quer um copo de cachaça no lugar de um tapa na cara; não quer ir a Nova York no lugar de Machu Picchu; não quer um amigo agindo como um conhecido descomprometido e nem o contrário disso tudo.

O que você quer são partes mais inteiras e não pedaços remendados ou migalhas; quer saber onde está pisando, para onde está indo e com quem; prefere as verdades inconvenientes do que as mentiras circunstanciais; quer que o mundo ao seu pequeno redor se torne mais transparente, um pouco mais coerente, amigável e possível. 

Porque o resultado das somas e subtrações inevitáveis da nossa jornada não pode ser aceitar enganações, se contentar com o quase, com a cópia, com o faz de conta; tem que ser o de ser original mesmo pagando o preço.

E mesmo não sendo fácil e muito menos barato, esse momento combinado de escolhas e independência pode ser muito rico e prazeroso; uma condição que você só conquista estando presente, prestando muita atenção e fazendo os deveres de casa com foco, sem medo dos erros e sem medo do que você ainda não sabe. Porque as idades mudam, mas a maneira de aprendermos com elas não. 

2015