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15.12.15

Anjos & Demonios


Ontem fui com a minha filhota na Cobal do Humaitá tomar um café. De repente apareceu um rapazinho, bem educado e humilde, oferecendo chicletes com o maior cuidado do mundo para não incomodar. Ele precisava vender.

Imediatamente olhei diretamente para seus olhos e procurei dinheiro na bolsa para comprar alguns e ajudá-lo. Minha filha, para meu orgulho, dirigiu a ele seu melhor sorriso e escolheu os clicletes como quem escolhe iguarias em uma patisserie francesa. Ele ficou notavelmente feliz e devolveu nossa iniciativa com um sorriso cansado e tímido, mas muito sincero e tocante.

Ele então continuou a oferecer os chicletes, sempre com jeitinho, para outras mesas. Foi quando percebemos que a grande maioria das pessoas sequer olhavam para a cara dele; agiam com a maior tranquilidade, simplesmente ignorando 100% aquele ser humano diante deles. Como se ele não estivesse ali, como se sua voz não fosse capaz de seu ouvida, como se ele não existisse.

É claro que ninguém é obrigado a comprar chicletes, mas o mínimo de dignidade é você olhar para a pessoa e dizer educadamente "não quero, obrigado" ou qualquer coisa...

Ficamos muito tristes de assistir aquela cena e de imaginarmos como deve ser difícil e doloroso ser diariamente e sistematicamente invisível para a sociedade; ser menosprezado, não ter voz; não ter a menor chance...

Todo mundo reclama dos jovens perdidos que estão espalhando violência pela cidade, mas não percebem a violência que cometem todos os dias com quem está tentando ser diferente, apesar de não contar com NADA.

Alguns segundos de compaixão, de amor ao próximo, de sensibilidade podem fazer verdadeiros milagres em vidas tão sacrificadas. Eu acredito nisso. Geralmente até pergunto o nome e agradeço a pessoa pelo nome e, se puder, ainda ofereço umas palavras positivas. Fico feliz de ver que meus filhos também acreditam e agem da mesma maneira. Isso é o mínimo do mínimo.

2015

8.12.15

Stupider than stupid.


My apologies se o coração não é intelectual, se não tem réguas, não faz contas direito, desconhece qualquer planejamento objetivo e estratégico e deliberadamente ignora limites...it's just a stupid guy!

My apologies se o coração reage apenas ao que sente e ao que fazem ele sentir...it's a crazy free.

My apologies se o seu coração age pelas suas costas, sussurra pelos corredores, telegrafa engenhosas mensagens e manda cartas perigosas à sua revelia...it's too much sassy.

My apologies se não estou mais afim de entender esse conflito de interesses entre vocês e, mesmo sob protestos do meu coração, that's enough! 

2015

27.10.15

Saldos & Calendários


E de repente o tempo passou e você está com uma idade em que os números, rótulos e estigmas apontam que você está começando a parar, enquanto na prática você esta mudando tudo, está revendo, recomeçando, construindo ainda...

E aí a pergunta vem: Porra, mas então qual é o meu saldo até aqui? E daí você percebe que nem precisa mais fazer contas, porque o saldo se revela exatamente proporcional ao que você quer e, principalmente, ao que você não quer mais a essa altura.

O principal é que não dá mais para suportar meias medidas: ou vai ou fica; ou quer ou não quer; entra todo ou nem encosta na borda; diz de uma vez ou fica calado; fuja da chuva ou não tema se molhar; coma merda sem contar calorias ou faça dieta sem se lamentar; prefira a facilidade de ser um personagem mas não me venha falar de profundidades.

E do que valeriam tantos anos e tanta vida se não fosse para você tentar conseguir se encontrar no meio de tanta confusão, de tanta informação, de tanto barulho, de tantas distrações e desvios? Porque no final das contas, o importante não é o saldo do banco, o sucesso, os bens acumulados, o status, tampouco o número falso de amigos nas redes sociais.

O que importa é você saber exatamente quem é; ser capaz de errar, de perceber o erro, e de se esforçar para acertar não para alimentar expectativas alheias, ganhar elogios de vidro ou ostentar uma vida perfeita; de acertar para se tornar a melhor versão de você, escolher o melhor para você e também ser melhor para os outros. 

Fato é que depois de uma certa matemática você não quer mais ver tv querendo ir ao cinema; não quer uma música no lugar de desculpas; não quer substituir o verbo amar por algumas transas; não quer um copo de cachaça no lugar de um tapa na cara; não quer ir a Nova York no lugar de Machu Picchu; não quer um amigo agindo como um conhecido descomprometido e nem o contrário disso tudo.

O que você quer são partes mais inteiras e não pedaços remendados ou migalhas; quer saber onde está pisando, para onde está indo e com quem; prefere as verdades inconvenientes do que as mentiras circunstanciais; quer que o mundo ao seu pequeno redor se torne mais transparente, um pouco mais coerente, amigável e possível. 

Porque o resultado das somas e subtrações inevitáveis da nossa jornada não pode ser aceitar enganações, se contentar com o quase, com a cópia, com o faz de conta; tem que ser o de ser original mesmo pagando o preço.

E mesmo não sendo fácil e muito menos barato, esse momento combinado de escolhas e independência pode ser muito rico e prazeroso; uma condição que você só conquista estando presente, prestando muita atenção e fazendo os deveres de casa com foco, sem medo dos erros e sem medo do que você ainda não sabe. Porque as idades mudam, mas a maneira de aprendermos com elas não. 

2015

23.10.15

Pra Sempre Menos Um Dia!

Me chama para escalar o Everest?

Quem sabe uma viagem espiritual a Machu Picchu...

Poderíamos ir beber na Lapa e ficar flertando com a vida bandida até de manhã.

Ou quem sabe mergulharmos juntos em um biblioteca para fuçarmos nossos autores preferidos?

Viajar para o Nordeste de carro pela orla e ir parando em todas as cidadezinhas que nos forem simpáticas, pode ser?

Ou marcar um filme cult em um sábado à tarde?

Comer até rolar aquele Bobó de Camarão de subúrbio, o que te parece?

Ou assistir aquele show de rock que gostamos no gargarejo gritando como dois adolescentes pirados...

Ficar um fim de semana inteirinho meditando, completamente calados, você toparia?

Ou talvez ir ao Maracanã ver nossos times jogando, e tirar na sorte o azarado que iria assistir a partida em campo minado...

Poderíamos discutir a vida pela ótica da filosofia oriental, jantando em um restaurante japonês, que você sabe que eu adoro.

Uma caminhada de manhã, em um lugar bonito, para contar detalhes, também vale...

São muitas as possibilidades, mas estamos em uma bolha que nunca se rompe.

Por isso, apesar de todo o sentimento envolvido, essa longa relação fiel mas esporádica, aberta mas tão delimitada; sempre na zona de conforto, sempre quando dá; apressada ou com tempo certo; marcada invariavelmente em lugares ordinários; com palavras e confissões rasgadas e regadas a café — muitas vezes nem isso , pra mim já deu.

Te amo pra sempre. Fui!


 2015


18.10.15

Um dia de chuva...




Um dia de chuva é bom para pausar
Curtir as pequenas coisas
Dar um abraço apertado
Amar direito...






2015

28.8.15

Canibalismo

Ela olhou em volta e não reconheceu nada.
Os barulhos eram desconhecidos, as paisagens eram anônimas.
Para onde deveria seguir não estava minimamente sinalizado.
Não havia escolha a não ser explorar sem pistas.

De repente ela se deu conta de que estava se alimentando com restos da sua própria vida, e o pior, que precisava fazer isso para seguir em frente.

2015

27.8.15

Verdades customizadas


Estamos vivemos a era das verdades customizadas.
Não existe mais sequer as verdades relativas.
Cada um inventa a sua própria versão dos fatos.
E assim ninguém se questiona, não encara os próprios equívocos, não evolui.
São tempos de homens pequenos e de grandes mentiras convenientes.

2015 

6.7.15

Fog



A frase ecoava em sua mente, enquanto ela andava em círculos pela cidade. Ele já estava fora há mais de um ano e tudo o que recebia dele eram apenas curtidas em posts aleatórios que ela publicava em suas redes sociais, como puxadas de ar. Ele comentava muita coisa de muitos amigos, mas nada dela. Quando o fazia eram frases genéricas em posts genéricos, nunca em expressões mais pessoais.

Ela se sentia como um brand admirado por um consumidor eventual, daqueles que compraram apenas uma pequena e interessante peça, sem gastar muito, por oportunidade, e jamais retornarão à loja, embora fiquem de alguma forma ligados a ela para sempre.

A última vez que se viram era tudo o que ela tinha. A intensidade, os olhares que escaparam, os suspiros que abafaram o que jamais seria dito; o corpo que o traiu no último abraço e puxou o corpo dela não uma, nem duas, mas três vezes para junto dele, enquanto beijos se arrastavam em seu rosto, fazendo força para não tomarem outros destinos.

Enquanto ele arrumava as malas e tomava um avião, aquela despedida que deveria ser um ponto final foi uma espécie de começo para ela, como se acabasse de ganhar um passaporte para os sentimentos dele. Uma pequena concessão que liberou seus desejos, projeções, perspectivas. Ela ficou assim por semanas, rebobinando a cena e tudo o que ela tinha evocado; revendo à distância cada detalhe, como se estivesse diante de uma TV sem som e sem cores de um aeroporto qualquer.

O tempo passou. Fragmentos se espalharam aqui e ali. Perderam-se. E um dia, de volta, andando pela rua, ela finalmente se deu conta de que não tinha nada para se desapegar, não tinha o que esquecer, não tinha nada para procurar ou perder. Não era amor, era só uma forte lembrança.

2015

8.3.15

Isaura e o Tempo...


Isaura estava com 30 anos, solteira e sem filhos, porque preferia viajar o mundo a ter que fazer parte do mundo de alguém.

Independente, vivaz, inquieta e obcecada por liberdade, ela era naturalmente arisca a relacionamentos, embora sempre discordasse que isso era verdade.

Fato é, que os prazeres de Isaura com as novidades de diferentes nacionalidades não cobriam sua carência de apoio, cumplicidade, abraços sem datas ou romances.

O que vivia em suas andanças nunca ia além de algumas páginas, mas um livro inteiro escrito era o que mais desejava. E o tempo, que não estava nem aí para os reais desejos de Isaura, simplesmente passava.

Isaura olhava interessada para qualquer homem de algum valor que por ela passasse. Ao se aproximar, com pretextos esdrúxulos e mal ensaiados, estabelecia uma paixão repentina e a vivia sozinha dentro de suas retinas.

Isaura via e acreditava apenas no que queria, na verdade, ela não queria se doar, só queria exercitar o verbo amar. Ela era por demais libertária e libertina para amarrar-se, então para ter controle total sobre o seu enredo, se contentava em inventar.

Mas a questão é que para seu corpo aquele bando de amores fantasiados não bastava; ele só reconhece o que é vivido de fato e de nada adiantava tanto enredo sofisticado. Por isso, Isaura padecia não de amores, ou da falta deles, mas de dissabores carnais.E o tempo, que não estava nem aí para as resistências de Isaura, simplesmente passava.

Irritada por perceber que estava refém do próprio corpo, Isaura evitava ainda mais qualquer possibilidade de um encontro real; só se interessava por quem era impossível e de quem chegasse mais perto ela corria. E seu corpo sofria, perdendo a luta para Isaura dia a dia. Na verdade todo o mundo perdia. 

Quando sentia-se tonta de calores, desejos e volúpias, Isaura os aplacava com uma espécie de feitiço que juntava incensos, música, cartas invisíveis, poemas rasgados e uma intensa produção de pães, patês, assados e guisados. Tudo cuidadosamente temperado com pimenta, ervas e muita salsa!

Depois do preparo, Isaura ficava horas dançando, escrevendo e cozinhando até seu corpo cair na cama exausto, rendido e mais uma vez inconformado.E o tempo, que não estava nem aí para as fugas de Isaura, simplesmente passava.

Deus deve ter se equivocado ao escolher esse espírito endoidecido para habitar esse corpo feminino que, como tal, também tem seus próprios desvarios. Isaura sentia-se uma estranha mistura de guerreiro medieval com uma arteira borboleta e, no meio do caminho desses extremos, não conseguia sossegar. 

Isaura não se achava triste, mas percebia que estava longe da felicidade de sentir-se completa. Ela não sabia ser mulher, só sabia ser Isaura. E o tempo, que não estava nem aí para as angustias de Isaura, simplesmente passava.

Uma década depois, lá estava Isaura a sacudir-se dentro das saias incensadas, embaladas por música e apimentados sabores, quando de repente tudo cessou. Isaura caiu nocauteada por uma dor no peito tão lancinante que o abriu em duas partes, arrancando-lhe o coração. Primeiro ela achou que estava morrendo, mas logo depois notou que sentia-se melhor, apaziguada, quase feliz. Isaura então levantou-se do assoalho da cozinha e continuou a vida. 

Mas após a queda, Isaura nunca mais viajou, dançou, ouviu músicas, escreveu ou cozinhou quitutes e iguarias. E o tempo, que não estava nem aí para as escolhas de Isaura, simplesmente passou.  

2015

11.2.15

Saldo


"Se o seu erro o torna melhor, na verdade você está saindo do negativo. Agradeça!"

2015

Polaridades


"Existem desafios negativos e positivos. Os negativos querem apenar te provocar e achar o seu erro; o positivo faz você se superar."

2015

Catavento.


"Se você se sente desconfortável é sinal de que alguma coisa em você está se movendo. Isso pode ser ruim, mas também é bom. Ruim pelo ruim é ficar mofando em lugares que não te fazem feliz."

2015

Movimento.


"Você simplesmente não começa nada sem deixar o que veio antes no passado. No que deixar, coisas novas começam a acontecer naturalmente. É orgânico. "

2015