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3.11.14

Trilhos Desconcertantes



Viagem idiota! Penso, enquanto abandono os meus guias de viagem no vagão-restaurante; que sejam de melhor serventia para viajantes mais deslumbrados.

De repente, irrompo em uma gargalhada patética. Todos me olham, talvez indagando qual teria sido a minha motivação já que estou imóvel há horas, atada à janela, instigada por esse cenário que não muda.

Danem-se! Ri porque lembrei que os guias que larguei são todos em português e de que nada vão valer em um trem babel para Marselha. Afinal, um guia sem compreensão das suas palavras é como um álbum de fotos para cegos.

Dou outra gargalhada. Se vier a terceira pensarão que estou tendo um surto. Que pensem. Achei graça ao pensar que sou a única brasileira nesta viagem. E por que seria? Brasileiros dão em árvores em absolutamente todos os lugares. Já percebeu isso? Estou mal humorada.

Falo sozinha. Rio sem motivos. Onde está você?

Meu estômago embrulha. Começo a sentir aquela onda que tento evitar há semanas. Respiro fundo. Olho pela janela e de nada adianta. As imagens se repetem. É impossível distrair-me. Estou há milhas de casa, em outro continente, cercada de outros idiomas e a monotonia me consome.

Penso nos guias que abandonei. Não me lembro de ter lido que essa viagem não oferecia novidades sensitivas e oculares e que não era capaz de ser um novo cenário. Guias inúteis.

A onda agora está na altura do meu peito. Sufoco. Ela quer transbordar. Tento impedir. Penso em vomitar, em gritar, em pular da droga do trem. Mas apenas afundo na poltrona, sentindo-me cada vez mais pesada, mais imobilizada. Finjo não estar ali para ver se a onda passa e me esquece de uma vez por todas. Mas ela continua chegando, lenta e definitiva até percorrer o meu corpo inteirinho, finalmente sair e parar à minha frente, olhando bem nos meus olhos.

Estremeço com a dor. Não tenho razões, não sou vítima, não fui pega desprevenida; fui comunicada, aconselhada, advertida; recebi pistas, sinais, faróis, outdoors coloridos e nada. Insisti.

Eu te perdi porque eu quis, porque me coloquei o imenso desafio de desconectar-nos; e o fiz pelo simples exercício de me sentir maior do que você, maior do que nós dois. Fui eficiente.

Agora aqui estou eu, condenada a esse trem que não vai a lugar algum, apenas gira em círculos, revelando quilômetros inclementes da mesma paisagem: um oceano de você.

2014

14.10.14

Faxina

Para limpar você tem que desarrumar 
Sem medo da bagunça das gavetas
Sem receio da sujeira dos cantos
Sem preguiça de explorar tetos
Sem pensar no cansaço
Sem definir tempo

Um desafio...

Foco
Paciência
Força.

2014

13.10.14

Tempo


Sim, só o tempo para responder questões que você está com preguiça de entender...



2014

25.9.14

Segredo

É chocante como ainda precisamos de provas físicas, quando silêncios, respirações e toques sutis são declarações muito mais escandalosas. 

Será que é porque provas físicas podem ser expostas, podem ser submetidas ao cruel tribunal das opiniões alheias? Esse mesmo que adoramos bradar que não importa? 

Afinal, porque exigimos provas para então acreditar?

Sinto uma vergonha quente de ter provocado a sua declaração, quando todo meu corpo já sabia o que se passava há muito, muito tempo... 

E agora suas palavras rejeitadas sofrem por terem saído. Não há sombras para acolher o que queria permanecer escondido. Não há mais o conforto do que não foi dito.

Agora há eu, você e todas as impossibilidades. Muita coisa para coexistir no pequeno espaço entre nós dois.

2014

Cinza


A respiração encurta
As vísceras doem
O coração aperta

Os ouvidos fecham
Os olhos cegam
Os ossos travam

Os fluídos cessam
As unhas quebram
A pele resseca

Os cabelos caem
O corpo para
A voz cala

Tudo desacontece
Não é enfermidade
É desesperança

2014

15.9.14

Medo



Fora de situações reais de perigo físico, o medo não é um aliado, é um inimigo

Enfraquece nossas vontades, crenças e possibilidades

Afinal, se a gente não acreditar na gente

Quem vai acreditar?



2014

12.1.14

No tranco



Dar certo dá muito trabalho. Fato!
Dá até para descansar, mas não dá para parar de insistir.
No que você desiste, lá se vão chances que na maioria das vezes não se repetem!


2014