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14.12.13

Ponto Final



Um olhar demorado na direção dele, seguido de um suspiro organicamente longo selou a despedida. Ela desistiu e partiu naquela noite que parecia ser um celeiro de oportunidades, mas que ela já sabia que no final ia ser apenas um espaço vazio de frustrações. Ela cansou de tentar, porque tentar cansa, bloqueia movimentos, atrasa cursos; ela cansou de esperar em portos, segue em frente, escolhe outros navios.


Ela balançou com a indisfarçável comoção dele quando a viu, ficou sacudida quando em um salão gigante ele escolheu passar exatamente no quadrado que ela ocupava, arrastando o pescoço a centímetros do seu rosto. Mas, seu corpo decidiu por ela e saiu do quadro em que ele estava, partindo resoluto em direção à rua úmida e desaconchegante.



Sua silhueta aparecia nas sombras, menos esguia, menos vibrante, mas de alguma forma mais nítida, mais consistente. Os suspiros não paravam, como se quisessem expulsar em conta-gotas as possibilidades agora para sempre abandonadas.

Imagens, sentimentos, lembranças, desejos e conclusões travavam uma luta em sua cabeça, mas não havia mais golpes, acabaram chegando a um acordo qualquer e foram se apaziguando. Em algum momento, sentaram todos naquela calçada mal iluminada e deixaram ela ir apenas com as saudades de tudo o que poderia ter sido.

As horas passaram, ela caiu na cama e dormiu não antes de mais um suspiro. No dia seguinte, acordou meio doída com uma incômoda certeza, a mesma de quando sabemos que não é mais possível vermos alguém que amamos e que não vive mais.  

2013