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6.7.13

Os escritores...



E os dois se reencontraram entre livros. Ele em uma turnê promocional, ela em uma pesquisa para um novo trabalho. Quando os olhares se esbarraram, ambos ficaram constrangidos; ele desconcertado (como sempre) com a certeza do interesse dela, ela atrapalhada com o súbito aumento de temperatura que a presença dele lhe causava.

Sem ter como desertarem daquele momento descombinado, se cumprimentaram, sorriram e elegantemente disfarçaram. Podiam ter parado ali, afiançados pela cordialidade e por um estudado espanto pela coincidência. Mas, destituídos de matemáticas exatas, continuaram conversando e acabaram relaxando em temas amenos, a uma distância tacitamente calculada por ambos.

Mas o destino pretendia se divertir mais: colocou os dois juntos não só em uma cidade alheia ao cotidiano de ambos, mas no mesmo quadrado de um hotel. Ao se darem conta, os risos ficaram nervosos, mas foram aplacados por aquele ensaiado enredo desinteressado escrito a quatro mãos. Acabaram jantando juntos e tudo foi ficando perigosamente irremovível.

Mas, tratava-se de dois escritores supostamente eficientes no controle de seus escolhidos personagens. E assim passaram as horas, o dia caminhava para o fim e, no seguinte, eles estariam livres daquela história não escrita. Mais tarde no hotel,  um café alongou a conversa, depois outro, e por fim um último. Sem drinks, sem maiores teores, sem inconvenientes descontroles. 

E então veio a formal despedida, orçada e aprovada pela vida de antes. No elevador,  subitamente, como uma cena de milhares de filmes ruins, ela cortou uma frase dele no meio e deu-lhe finalmente o beijo. Ele ficou imóvel, confuso entre a honestidade dos seus compromissos e a desonestidade dos seus desejos. Sem o aval de uma reação dele, ela se desculpou pelo "excesso" e esperou em desgraça a chegada do seu andar.

E quando seu corpo já estava quase escapando daquele improvável romance, foi ele quem a puxou, rendendo-se  não com um, mas muitos beijos, todos improrrogáveis. Chegaram ao quarto navegando nas entrelinhas das palavras nunca ditas.

Ela se surpreendeu com a sensualidade dele, talvez represada pela formalidade da sua mordaz intelectualidade. Para ele também foi uma surpresa a suavidade encontrada naquela mulher de opiniões fortes e gestos determinados. Ambos se surpreenderam com a quantidade de abraços demorados no meio daquele sexo quente. 

E então, depois do dezenas de parágrafos escritos,  a mão dele em expedição tocou uma curvinha perfeita da bunda dela, arrancando-lhe um suspiro alto.

- Mas o que é isso, meu Deus!?

- Pilates, ela respondeu divertida.

- Promete que vai manter isso exatamente assim para mim? - Ele sussurrou, colado ao rosto dela, naquele momento de pura exceção.

Eles voltaram a se encaixar, enquanto as mãos dele a seguravam com força. Escreviam novas linhas dessa história. Apenas mais um capítulo de um enredo aberto, sem perguntas, sem respostas.

2013