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9.7.13

Poemas de amor não existem!



Poemas de amor existem?
Se existem falam de quê?
Da felicidade, do céu azul e dos mares?
Poemas de amor não existem porque são chatos!

E quem vai querer ler um poema de um amor que é de outros?
Quem pode regozijar-se com uma alegria que não lhe pertence?
Poemas de amor não existem porque são abstratos!

Poemas de amor discursam sobre amores idealizados;
confortáveis sentimentos platônicos,
estáticos por não serem correspondidos,
ou simplesmente inalcançáveis.
Na verdade, o que existe são poemas sobre amores desagradáveis,
poemas de desamor!

Afinal, se alguém está ao lado de outro alguém que lhe inspire tal tema,
não se deterá a fazer poemas, se abandonará a fazer amor.

2013

Por todos os poros...




Ela se declarava por todos os poros; fazia passeatas, ostentava cartazes.

Diziam até que tinha no corpo uma coleção de tatuagens

Quando uma roda se formava no centro da metrópole, era ela que sambava e cantava desinibida.

No fim de semana na praia, flanando alegre nos aviões, lá estava sua paixão escancarada em bandeiras multicores.

No dia a dia, todos ficavam intrigados com as figuras abstratas recorrentes nas roupas que ela usava. 

A quem perguntasse, ela explicava, entre gostosas gargalhadas, que suas estampas eram sobre um amor, um peito e uma flecha.


E as horas passavam apressadas, enquanto pelas ruas ela compartilhava pensamentos, crônicas, poemas e cartas abertas. 

Sim, ela se declarava por todos os poros; enquanto ele sempre dizia a mesma coisa quando casualmente a via: Oi querida, como vai a sua família?


2013

8.7.13

Entre amores



Há amores que são donos das nossas melhores lembranças
Há amores que com meros pensamentos nos arrancam sorrisos
Há amores que nos dão outros amores, filhos
Há amores que provocam a nossa alma com lágrimas
Há amores que só prestam como centelhas de poemas

Mas tudo vale mesmo a pena?

Se o coração ama
Se o coração respira
e oxigena a vida
Vale!


2013

6.7.13

Os escritores...



E os dois se reencontraram entre livros. Ele em uma turnê promocional, ela em uma pesquisa para um novo trabalho. Quando os olhares se esbarraram, ambos ficaram constrangidos; ele desconcertado (como sempre) com a certeza do interesse dela, ela atrapalhada com o súbito aumento de temperatura que a presença dele lhe causava.

Sem ter como desertarem daquele momento descombinado, se cumprimentaram, sorriram e elegantemente disfarçaram. Podiam ter parado ali, afiançados pela cordialidade e por um estudado espanto pela coincidência. Mas, destituídos de matemáticas exatas, continuaram conversando e acabaram relaxando em temas amenos, a uma distância tacitamente calculada por ambos.

Mas o destino pretendia se divertir mais: colocou os dois juntos não só em uma cidade alheia ao cotidiano de ambos, mas no mesmo quadrado de um hotel. Ao se darem conta, os risos ficaram nervosos, mas foram aplacados por aquele ensaiado enredo desinteressado escrito a quatro mãos. Acabaram jantando juntos e tudo foi ficando perigosamente irremovível.

Mas, tratava-se de dois escritores supostamente eficientes no controle de seus escolhidos personagens. E assim passaram as horas, o dia caminhava para o fim e, no seguinte, eles estariam livres daquela história não escrita. Mais tarde no hotel,  um café alongou a conversa, depois outro, e por fim um último. Sem drinks, sem maiores teores, sem inconvenientes descontroles. 

E então veio a formal despedida, orçada e aprovada pela vida de antes. No elevador,  subitamente, como uma cena de milhares de filmes ruins, ela cortou uma frase dele no meio e deu-lhe finalmente o beijo. Ele ficou imóvel, confuso entre a honestidade dos seus compromissos e a desonestidade dos seus desejos. Sem o aval de uma reação dele, ela se desculpou pelo "excesso" e esperou em desgraça a chegada do seu andar.

E quando seu corpo já estava quase escapando daquele improvável romance, foi ele quem a puxou, rendendo-se  não com um, mas muitos beijos, todos improrrogáveis. Chegaram ao quarto navegando nas entrelinhas das palavras nunca ditas.

Ela se surpreendeu com a sensualidade dele, talvez represada pela formalidade da sua mordaz intelectualidade. Para ele também foi uma surpresa a suavidade encontrada naquela mulher de opiniões fortes e gestos determinados. Ambos se surpreenderam com a quantidade de abraços demorados no meio daquele sexo quente. 

E então, depois do dezenas de parágrafos escritos,  a mão dele em expedição tocou uma curvinha perfeita da bunda dela, arrancando-lhe um suspiro alto.

- Mas o que é isso, meu Deus!?

- Pilates, ela respondeu divertida.

- Promete que vai manter isso exatamente assim para mim? - Ele sussurrou, colado ao rosto dela, naquele momento de pura exceção.

Eles voltaram a se encaixar, enquanto as mãos dele a seguravam com força. Escreviam novas linhas dessa história. Apenas mais um capítulo de um enredo aberto, sem perguntas, sem respostas.

2013