Posts recentes...clique...navegue...explore!

20.5.13

Lucrécio, meu safadeco. Por Vianne Rocher.



Solteirinha da Silva, andava meio enfastiada com a falta de singularidade dos xavecos. Não conseguia mais ser audiência para interesses genéricos que à menor resistência, talvez buscando apenas um pouco mais de apuro, virava logo um tanto faz como tanto fez. A companhia de um copo de bom vinho, um livro querido, ou um filme agradável, estava sendo melhor do que ficar à mercê de galanteios degenerados.

Mas mesmo tranquila e inebriada com meus simplórios entretenimentos eleitos, volta e meia sentia falta de alguma coisa; na verdade alguma coisa de homem. Não, não era de sexo, porque isso nenhuma mulher que realmente quer tem dificuldade de obter; isso é fato.Também não era de carinho, porque isso também conseguimos da família, de amigos e até de desconhecidos educados. 

Sem entender aquela sensação de pouquidade, enchi mais um copo de vinho e resolvi ler umas crônicas alheias. Me diverti aqui e ali, me encantei aqui e acolá, até chegar a umas palavras deliciosamente insensatas que me responderam na lata o que tanto me faltava!

Aquela crônica extraordinária me encheu de energia com seu palavreado abusado, suas sacanagens descaradas, suas promessas de noites imoderadas. Era um show de sedução verbal. E eu aqui toda quieta, no meu canto enroscadinha, me peguei rindo à toa com aquela intervenção das letras que quase me arrancaram as roupas. 

Então é isso.O que eu estava sentindo era falta de arroubo! E como você o tem, meu caro safadeco. Isso mesmo, inventei um apelido apimentado para flertar com você logo no primeiro ato. O que posso fazer se o o arrebatamento das imagens de suas frases barganham o meu azeite virgem por puro dendê? Para que fugir, se o seu tom faz meu salto alto subir na mesa do bar lotado; e levanta bem devagar a minha saia enquanto eu danço um lê, lê, lê pra você? 

Sim, Lucrécio, pode vir quente e armado que estou toda orvalhada pensando nos seus abraços.Vamos viver um romance, um namoro, um looping, um lance, um sei lá o quê; vamos temperar juntinhos, meu safadeco, essa moqueca de eu e você. 



2013