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23.5.13

Safadezas, sabores e delícias. Por Vianne Rocher


Por Vianne Rocher


Ah...Lucrécio, um dos ditados que mais amo na vida é o "cuidado com o que você quer, porque você pode conseguir". Não foram poucas as vezes que recebi cantadas perseverantes, atenções realçadas, verdadeiras configurações de dias inolvidáveis e no H da hora, do homem e do hoje, nada!

O fato é que as pessoas adoram desejar; querer o que lhes parece impossível; arquitetar engenhosas formas de obtê-lo para, em seguida da conquista do objeto, perecerem e voltarem remansadas para suas vidas ordinárias. Afinal, atirar-se à falta de contornos exatos de uma paixão incomensurável é coisa para quase nenhum!


Você, meu safadeco amado, em busca de águas raras atravessa terras, pula muros, se prepara para arrombar portas mas, se por um comparsa acaso elas já estão abertas, hesita um pouco com a surpresa para depois avançar com sede ainda maior na empreitada. E só intrépidos como você, meu caro amante temperado no dendê, descobrem as delícias do outro lado; ampliam a estreiteza dessa vida roteirizada e gozam na escuridão.

Por isso estou desatinada à caminho do seu ser. Agora que entrou, seu safadeco-gostosildo, pode ficar quietinho ou levado; amoroso ou desembestado; cachorro faminto ou poeta inspirado; regado a vinhos caros ou a aguardentes baratos. Tanto faz. Entre silêncios, espasmos e deleites, quero todos os sabores de você!

2013

20.5.13

Lucrécio, meu safadeco. Por Vianne Rocher.



Solteirinha da Silva, andava meio enfastiada com a falta de singularidade dos xavecos. Não conseguia mais ser audiência para interesses genéricos que à menor resistência, talvez buscando apenas um pouco mais de apuro, virava logo um tanto faz como tanto fez. A companhia de um copo de bom vinho, um livro querido, ou um filme agradável, estava sendo melhor do que ficar à mercê de galanteios degenerados.

Mas mesmo tranquila e inebriada com meus simplórios entretenimentos eleitos, volta e meia sentia falta de alguma coisa; na verdade alguma coisa de homem. Não, não era de sexo, porque isso nenhuma mulher que realmente quer tem dificuldade de obter; isso é fato.Também não era de carinho, porque isso também conseguimos da família, de amigos e até de desconhecidos educados. 

Sem entender aquela sensação de pouquidade, enchi mais um copo de vinho e resolvi ler umas crônicas alheias. Me diverti aqui e ali, me encantei aqui e acolá, até chegar a umas palavras deliciosamente insensatas que me responderam na lata o que tanto me faltava!

Aquela crônica extraordinária me encheu de energia com seu palavreado abusado, suas sacanagens descaradas, suas promessas de noites imoderadas. Era um show de sedução verbal. E eu aqui toda quieta, no meu canto enroscadinha, me peguei rindo à toa com aquela intervenção das letras que quase me arrancaram as roupas. 

Então é isso.O que eu estava sentindo era falta de arroubo! E como você o tem, meu caro safadeco. Isso mesmo, inventei um apelido apimentado para flertar com você logo no primeiro ato. O que posso fazer se o o arrebatamento das imagens de suas frases barganham o meu azeite virgem por puro dendê? Para que fugir, se o seu tom faz meu salto alto subir na mesa do bar lotado; e levanta bem devagar a minha saia enquanto eu danço um lê, lê, lê pra você? 

Sim, Lucrécio, pode vir quente e armado que estou toda orvalhada pensando nos seus abraços.Vamos viver um romance, um namoro, um looping, um lance, um sei lá o quê; vamos temperar juntinhos, meu safadeco, essa moqueca de eu e você. 



2013

14.5.13

Perfeita proporção.




Eu não quero, não preciso e nunca mais vou ver

o seu des sorriso
o seu des apego
o seu des atino
o seu des afino
o seu des amor

Você também não quer, não precisa e nunca mais vai me ver?
Então estamos quites; nunca foi e já se acabou.




2013

2.5.13

Fui.



Decididamente decidi
não ir ao encontro do nosso desencontro
não me aproximar do que não pode ser tocado
não sorrir sem poder ser feliz
não olhar o que não pode ser retido
não fingir que o que desaconteceu podia ter sido
não calar o que com o silêncio já foi dito

Decidi  partir
Decidi por mim
Fui



2013