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28.4.12

Últimas palavras...



Algumas decisões são como marteladas: precisam ser rápidas, precisas, determinadas; e tanta competência, exige o uso da força. É assim quando temos que abrir mão de alguém que queremos, desejamos, adoramos. Mesmo que seja por um bem maior, deixar para trás algo que de alguma maneira nos inspira, nos acorda e nos estimula, é tarefa pesada.

Não ser complacente com o coração e escolher se agarrar a razão para tentar conter, à força, sentimentos córregos é assim. Mas, o que fazer se o amor não é possível? Vamos combinar que não dá mais para pensar que todos os amores são possíveis, porque não são.

E assim é, quando esbarramos em um amor que já pertence a outra pessoa; um amor que faz parte de outra história ; que já tem passado, presente e futuro, e nenhum desses tempos nos inclui. Ninguém está livre de, por uma roleta russa do destino, ser tocado por um amor que tem raízes fundas em outras terras, apesar do vento estar fazendo suas flores caírem nas nossas.

E então? Devemos ser pragmáticos e correr pelos campos acompanhados da decisão de esquecê-lo; ou devemos ser românticos e ficar para vê-lo morrer pela simples falta de oxigênio? Não devemos evitar o rastro de destruição provocado pelas tentativas desesperadas de transplantar o amor de um peito?

Sim. Tudo vale a pena, se a alma não é pequena. Sempre vale reconhecer um amor, quando nele esbarramos; sempre vale celebrar a sorte de sentí-lo. Vivê-lo, caro Fernando, são outros poemas...


2012