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24.1.04

Israel, menino bonito.



Em dias em que somos afetados o tempo inteiro por maus tratos, indiferenças, rancores, incompetências e tantas outras inadimplências emocionais e sociais, devemos nos lembrar diariamente de exercitar o verbo amar com quem amamos. Amar e ser amado já é um privilégio; não devemos passar batidos por tamanha graça.

Ontem conheci Israel, um menino de rua de 10 anos que, inexplicavelmente, mesmo sem ter tido pai ou mãe, porque viveu em orfanatos; mesmo sem ter casa, nem cama quentinha, é absolutamente puro e doce.

Israel não gosta de pedir esmolas. Ele cata latinhas para vender e sobreviver.

Israel não gosta de viver nas ruas, mas não tem casa.

Israel voltaria a viver em uma Instituição, mas não confia na que estava.

Israel quer ajuda,mas não quer incomodar...

Como será que Israel conseguiu ser e permanecer tão desarmado com uma vida lhe aponta uma arma a cada instante?

Israel ainda tem amor no coração. Talvez a mãe de Israel o amasse, e tenha sido obrigada a deixá- lo (e não a abandoná-lo) em uma instituição de caridade; talvez ela fosse uma adolescente como ele é hoje; talvez, depois de 10 anos de pobreza e descaso absoluto de tudo ao seu redor, ela esteja morta. Mas talvez esteja viva, e pense no Israel todos os dias...

Quem sabe não é da lembrança deste amor, de útero, que Israel ainda sobreviva?

Quem sabe se que o faz viver é a esperança de reencontrar o conforto desse sentimento?

Ouvindo e vendo Israel fica absoluta e dolorosamente clara a dádiva que é estarmos perto de quem a gente ama.

E tantas vezes perdemos o foco, tantas vezes esquecemos de olhar o outro de uma maneira profunda e generosa.

Tantas vezes perdemos nosso tempo, cada vez mais precioso, com coisas, emoções perecíveis, atenções com prazo de validade. 

Quem tem quem ame e de quem receba amor: pais, filhos, irmãos, amigos, amores e até bichos, deve valorizar, agradecer e compartilhar.

Todos os dias.
Não por culpa.
Não por obrigação.
Por felicidade...
E sorte.

2004