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3.8.08

Correnteza


Como águas que não se podem conter
Rompem diques, avançam terras, inundam vales
Desenhando um resoluto curso entre descaminhos.

Como águas que correm desembestadas
Enfrentam pedras, desafiam margens limitadas
E encaram destinos incertos

Como águas, nosso amor está chegando
Transbordando de vontade de nos achar
Com a força de quem se aventura além mar

E no meio do encontro das águas nosso amor irrompe
Inunda e despedaça nossos corpos fartos
De abrigar amores que vagavam sem donos.
2008

23.7.08

Sessão de Cinema


Saí rapidamente da poltrona, assim que as luzes da tela foram obscurecidas pelos créditos do filme.

Saí e me misturei àquela pequena multidão de ninguéns; estava com pressa de ficar ainda mais anônima; estava com preguiça de algum incauto perceber que você, que nem conheço, não dividia a minha companhia.

Saí atingida pelo filme que nem me lembro, pelos seus casais impostores, seus beijos sem autoria e pelo sexo volátil daquelas vidas emprestadas.

Saí mortificada ao perceber que corri quilômetros e atravessei anos para me salvar de tanto amor sem senhor, sem abraços descansados, sem silêncios seguros e sem promessas comprometidas.

Saí, mas permaneci lá, diante da tela. Sentada com as pernas cruzadas fui me mexendo até achar o ponto mais confortável da poltrona; mais uma sessão sem intervalos, repleta de novos personagens que, invariavelmente, são sempre você.


2008

Blues


Hoje estou com nostalgia
De coisas que nunca tive
Coisas que só ouço em músicas
E vejo em filmes.

Hoje estou com saudade
Das coisas que sonho acordada
Enquanto na janela a vida passa

Hoje estou sentindo falta das velhas ilusões
E de conhecidos e desgastados sentimentos
Como aquele jeans querido
Que quanto mais lavado e usado
Mais indispensável fica.



2008