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21.7.18

Limpeza...


De repente, vem uma chuva forte
Primeiro ela molha, depois inunda
Tudo que estava largado, ressecando

A chuva corre por canteiros abandonados
O cheiro da terra sobe, evocando perfumes
Mas o chão apenas alaga, nele nada germina

A chuva então cai somente para varrer e limpar
Não há raízes ou sementes, só trilhas de pedras
Meras lembranças de um jardim que nunca floresceu


2018

12.7.18

Somos todos replicantes


Cada pessoa tem uma impressão digital que a distingue, assim como um DNA. Somos seres únicos, cada um com seus particulares talentos, com suas próprias dificuldades e com uma capacidade única de ampliar o que tem de bom ou potencializar o que tem de fraco. Escolhas.

É interessante observar que, no entanto, o mundo como foi criado pelo homem, o tempo todo tenta enquadrar todos: uma forma de pensar, um comportamento a seguir, uma expectativa a cumprir, um modo de vestir, uma maneira de se comportar, um roteiro a seguir. O pior é que todos, quase na totalidade, sempre aceitaram isso como gado. É histórico.Tudo sempre mudou, mas quando mudou virou om novo padrão para todos.

Mas isso agora está grave. As pessoas estão ficando com pânico de querer, de mudar de ideia, de conseguir, de desistir, de insistir, de conquistar, de perder. A humanidade continua regida pelo medo, só que em cargas maiores. A grande ousadia da vida hoje é o mais simples: o ser você. Como com tanta informação, amplidão e possibilidades, isso está ficando mais difícil, ao invés de ficar mais fácil?

As redes sociais, a grande vedete das relações contemporâneas, por exemplo, cresceu como a promessa de um canal para todos se expressarem e destacarem suas individualidades, mas todo mundo quer ser igual a todo mundo; todo mundo quer gostar do que todo mundo está gostando, sem ao menos se perguntar se o que o outro demonstra é autêntico e se lhe cabe.

O mundo está virando um gigantesco faz de conta, onde frase de efeitos, fotos editadas, filtros manipulados, motivações estratégicas e perfis falsificados de si mesmos revelam que, na verdade, ao contrário do que se propaga, ninguém é perfeitinho e tão feliz, e a maioria sequer está satisfeita com a própria vida.

Gerações anteriores se debateram, se rebelaram. gritaram, lutaram, questionaram, atacaram, e até morreram por rejeitar dezenas e dezenas de padrões impostos pelo mundo do que é bom, certo, bonito, válido, tolerável. 

E agora? Em plena era dos haters, que descuidam da própria vida para apontar o dedo para quem eles acham que não está sendo o suficiente perfeito na própria? E agora? Na era das fake news, que desbancaram o perigo das informações manipuladas pelos veículos oficiais de comunicação, criando simplesmente do nada, o que possa servir a quem interessa ou apenas entreter ao avesso? E agora? Com a internet colocando os vulneráveis ao alcance fácil dos predadores?

Estamos anulando as emoções pelo o que é conveniente, deixando de olhar e conhecer o outro,  deixando de aprender sobre de quem fato somos. Estamos falhando na compaixão, enfraquecendo na honestidade, preferindo o que e quem é mais fácil; o que e quem está ao alcance; o que e quem é mais aceitável ou tem um status mais compatível com nossos anseios emprestados. Estamos desabilitando os sentimentos, virando clones de nós mesmos, replicantes de Blade Runner!

E o que faremos? Gritar socorro, mostrar-se preocupado, reconhecer, reagir, negar, mudar, revolucionar, nada disso está entre os trends. O que podemos fazer, na verdade, está nos fóruns íntimos,  no cara a cara com o espelho, no deitar no travesseiro, no olhar para o próprio umbigo e se perguntar: O que que é que eu estou fazendo? Para onde estou indo? É isso que eu quero? Está bom pra mim? Quem eu realmente sou? E...assumir tudo isso para si mesmo e, depois, para o universo.

Parece simples, apenas um jogo de perguntas, mas a questão é que não vai adiantar recorrer à respostas padronizadas, porque não se trata de apaziguar as insatisfações de clientes em uma espécie de SAC da vida. Trata-se da sua existência, da sua essência, da sua alma, do seu destino, de você.

E o livre exercício de ser exatamente quem você é que está comprometido nesse emaranhado de padrões que se repetem a cada consumo desnecessário, a cada post, a cada vídeo, a cada meme propagado, a cada mensagem vazia, a cada link compartilhado, a cada pensamento que não se alonga, que não se desenvolve, que é interrompido por esse excesso de atenção fragmentada que está nos arrancando de nós mesmos.


2018




11.7.18

Maya Angelou



Aprendi que, aconteça o que acontecer, pode até parecer ruim hoje, mas a vida continua e amanhã melhora.
Aprendi que dá para descobrir muita coisa a respeito de uma pessoa observando como ela lida com três coisas: dia de chuva, bagagem perdida e luzes de árvore de natal emboladas.
Aprendi que, independentemente da relação que você tenha com seus pais, vai ter saudade deles quando eles saírem da sua vida.
Aprendi que ganhar a vida não é o mesmo que ter uma vida.
Aprendi que a vida, às vezes, nos oferece uma segunda oportunidade.
Aprendi que a gente não deve viver tentando agarrar tudo pela vida afora. Temos que saber retribuir também.
Aprendi que quando decido alguma coisa com o coração aberto, em geral tomo a decisão certa.
Aprendi que mesmo quando tenho dores, não preciso me tornar uma.
Aprendi que todo dia a gente deve estender a mão e tocar alguém.As pessoas adoram um abraço apertado, ou mesmo um simples tapinha nas costas.
Aprendi que ainda tenho muito o que aprender.
Aprendi que as pessoas esquecerão o que você disse, as pessoas esquecerão o que você fez, mas as pessoas nunca esquecerão como você as fez sentir. 

(Maya Angelou)